Pesquisar este blog

sábado, 9 de dezembro de 2017


O ORIENTADOR EDUCACIONAL E AS DIFICULDADES DE SUAS FUNÇÕES





As dificuldades de aprendizagem causam um problema muito sério ao sistema educacional e as suas aquisições. Neste quadro de perdas, desinteresse e abandono é que o orientador educacional terá de atuar. Como função precípua, terá de resgatar diversos alunos de condições amplamente desfavoráveis, onde encontram-se prestes a abandonarem a escola ou começam a apresentar uma certa agressividade com colegas e educadores. Esta situação poderá avançar de forma concreta para as muitas atitudes com as quais vemos em nossos dias, onde alunos tornam-se agressivos no ambiente escolar. Estes problemas de comportamento desaguam, quase sempre em anos e anos de repetência, atrasos consideráveis na aprendizagem escolar, quando não os levam a abandonarem seus estudos. Cabe ao orientador educacional, a busca de soluções imediatas e ou definitivas para estes educandos, seus dilemas e dificuldades. Este deve articular-se de forma coerente com os demais profissionais escolares, tendo em vista sempre o resgate dos educandos com dificuldades.



Palavras-chave: Dificuldades. Aprendizagem. Educação.





Abstract
Learning difficulties pose a very serious problem to the education system and its acquisitions. Within this framework of losses, disinterest, abandonment that the educational advisor will have to act. As a primary function, you will have to rescue several students from widely unfavorable conditions, where they are about to leave school or begin to show a certain aggression with colleagues and educators. This situation can advance concretely to the many attitudes we see in our day, where students become aggressive against their educators and other colleagues. These behavioral problems often lead to considerable delays in school learning, often in years and years of repetition, when they do not lead them to drop out of school. It is up to the educational supervisor, the search for immediate and definitive solutions for these students, their dilemmas and difficulties. This should be coherent with other school professionals, always aiming at the rescue of students with difficulties.



Keywords: Difficulties. Learning. Education.





Sumário

Introdução
1 - O Orientador Educacional e as Dificuldades de suas Funções Perspectivas e atualidades
2 - Características do Fazer Profissional de cada Orientador na Realidade Escolar - O Contexto de sua Atuação
Considerações Finais
Referências Bibliográficas



















INTRODUÇÃO

As dificuldades de aprendizagem têm levado muitas e sérias dificuldades para a aquisição escolar de nossos alunos. Estas podem ocasionar a perda do interesse pelo espaço escolar, suas funções e aquisições. Mas, temos de ver que estas dificuldades precisam ser melhor entendidas, para após terem soluções viáveis. No espaço escolar e principalmente das salas de aula, cada profissional, cada educando sofre com diversos problemas, estes podem e são advindos de uma série enorme de transtornos, que em grande parte ocorrem fora das escolas e de sua organização, mesmo após muitos estudos e discussões, ainda não temos situado de forma cabal todos estes problemas como sendo um fato social e da sociedade, não somente da escola e de suas funções organizacionais. Neste aspecto cada problema com que o orientador tenha de trabalhar, não pode ser entendido somente como um fato do educando que “negligencie” seus estudos, mas como uma visão do todo, de como estamos mostrando a importância escolar e de suas aquisições, como os profissionais da escola veem e enfrentem dilemas e dificuldades, para que assim entendido, possa atuar de forma ajustada e eficaz no auxílio aos que enfrentem estas carências e dificuldades. Sendo o orientador educacional o responsável por este processo como um todo.
















1 - O Orientador Educacional e as Dificuldades de suas Funções -  Perspectivas e atualidades

Crer em uma visão romântica sem a noção da realidade a ser enfrentada, é algo com que um profissional não deve levar para sua vida profissional, mas se informar da realidade, mostrará a terrível dicotomia enfrentada por todos os profissionais da educação, principalmente da educação pública, onde o básico não é fornecido, onde todos os recursos investidos nunca são na proporção necessária, tendo estes profissionais de conviverem  com realidades completamente opostas às que aprendeu nas salas de formação acadêmica. Está realidade do ensino público e de uma forma mais generalizada da educação brasileira, tem afastado os profissionais das salas de aula, bastando para isto observarmos as diversas pesquisas que elucidam este assunto, dando-nos a clara noção de que a docência não possuí mais o interesse dos formandos ao ingressarem na sua vida profissional.
Está situação se mantém por diversos anos, ocasionando a defasagem gradativa, generalizada e persistente ao longo das quatro últimas décadas. Os formandos da educação procuraram migrar para o ensino superior ou outros setores da educação, como os diversos cursos preparatórios. Isto ocorre basicamente devido ao fato de que o ensino, que já vinha perdendo espaço e importância desde os anos setenta, em muitas áreas do ensino, como as de exatas, tornou-se sem atratividade suficiente para empolgar qualquer um formando a enfrentar as péssimas condições oferecidas, a violência contra os docentes, esta sim, nas duas últimas décadas, só fez aumentar. Ocasionando agressão e abandono de docentes das salas de aulas.
Principalmente após a década de dois mil, torna-se uma notícia quase corriqueira a violência contra professores de todo Brasil, muito disto devido à ausência de punições de jovens e adolescentes que já vivem expostos a violência em suas comunidades. Este fato em si mesmo, começa com a promulgação da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Que garantiu e tirou as nossas crianças e adolescentes do estado de vulnerabilidade existente anteriormente, no entanto, ao não ter espaços de recuperação infanto-juvenil e punições de atos ilícitos destes jovens, causa a sensação de impunidade e a noção destes de que nada lhes ocorrerá. Por exemplo, um jovem que com muitas dificuldades seja condenado por um ato delituoso, é levado para uma determinada instituição, longe de onde vive, passa a conviver com outros delinquentes graves, muitos tantos já com uma vida de criminalidade maior que muitos criminosos já adultos, logo, este jovem enfrenta uma situação de “aprendizado” voltado ao crime.
O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) quando de sua promulgação no início dos anos noventa, criou muitas expectativas, sim boas esperanças que revertessem as condições de vida de nossos jovens e crianças. Na Cidade do Rio de Janeiro, o que nunca se via com frequência toma um rumo que viria a se tornar a realidade na vida de muitos jovens e adolescentes, a vida no tráfico. Estes começaram a ser colocados na linha de frente, como fogueteiros (responsáveis por avisarem a presença de policiais nos arredores destas comunidades), manusearem aparelhos de radiofrequência, dentre outras funções dentro das quadrilhas. Na verdade, era questão de tempo até que começasse estes jovens a serem eles os gerentes gerais destas mesmas quadrilhas. Pois bem, estas situações desaguaram todas, quase de forma abrupta dentro das escolas. Sem sombra de dúvidas não haviam profissionais preparados para o enfrentamento de tais questões dentro das escolas, talvez nem mesmo aja nunca, pois estas são atitudes criminosas, que deveriam ser tratadas com maior seriedade no próprio estatuto ou ter outras abordagens pelos órgãos de proteção destes. Não bastassem estes fatos relativos a criminalidade das comunidades do entorno das escolas, ainda passamos ao longo das três últimas décadas por uma enorme desarticulação familiar. Esta desarticulação causa diversos transtornos na vida de crianças e adolescentes, quando não inviabilizam seu ensino-aprendizagem.

Estudos apresentam a família e a escola como importantes contextos de desenvolvimento humano para a criança e cuja aproximação pode favorecer o desenvolvimento do aluno. A literatura aponta a necessidade de mais investigação das bases da relação família-escola, para entender os fatores que funcionam como barreiras ou promotores da aproximação e da parceria entre os dois segmentos, uma vez que estes ainda não estão suficientemente estabelecidos. Silva, D. N. (2014).

Esta desarticulação familiar junto com as questões financeiras, proporcionam uma desagregação de crianças e jovens na aquisição da aprendizagem. Quando não tornam o ensino inviável causam imensas dificuldades, estas dificuldades ocasionam contratempos para professores, que enfrentam maior resistência por parte de seus alunos, ocasionado ao longo do tempo de escolarização
O orientador educacional terá obrigatoriamente de lidar com todas estas questões, pois, todas estas são encontradas no ambiente escolar e são de difícil solução, por estarem de forma bem enraizadas no âmbito das camadas mais baixas de nossa sociedade, onde as condições do meio, condicionam os indivíduos a elas expostos aos fatores condicionantes que entre eles são disseminados. Tais como: gêneros musicais, modos de falar, comportamentos, dentre muitos outros fatores que os diferenciam e fazem-nos ser identificados como pertencentes a estes grupos sociais. No entanto, estas comunidades sofrem muito mais influências dos fatores de transgressão. Tais como a criminalidade existente em meio as comunidades carentes espalhadas pelo Brasil.
O orientador educacional precisará mostrar condições de lidar com todas estas adversidades, pois se olharmos para as suas atribuições são exatamente estas, precisando, portanto, articular estratégias capazes de vencer cada um dos obstáculos ali encontrados. Sua função é de vital importância para o processo de aprendizagem destes jovens, pois ao conseguir debelar os traumas, as dificuldades existentes em cada processo enfrentado, estará o orientador contribuindo de forma efetiva e concreta com a aprendizagem destes educandos.
Mas, sua função vai além de somente o entendimento das situações problema de cada um dos alunos por ele atendidos, ela perpassa por cada uma das ações articuladas de educadores e funcionários da escola, o conviver destes alunos no ambiente escolar, mas não somente ali, também precisará ter um entendimento das dinâmicas aplicadas e vividas por estes em suas famílias e comunidades, quais as carências reais de cada processo de aprendizagem, os porquês destes existirem, para a partir deste momento ser efetivo em sua atuação com cada caso atendido.
O ambiente escolar e composto por dinâmicas e processos com os quais, sem o devido entendimento, acarretará um aprendizado deficitário. Vindo a longo prazo criar dificuldades com as quais estes educandos poderão não estar aptos a enfrentar, vindo deste fato as dificuldades de aprendizagem. Precisamos entender, no entanto o que é um déficit, um transtorno de aprendizagem e uma dificuldade simples ou até mesmo complexa.
Um déficit de aprendizagem, pode ou não estar ligado a um determinado transtorno de aprendizagem. Em sua maioria se associa aos processos vividos com as dificuldades em adquirir a aprendizagem em si. Neste caso não tem uma contrapartida em questões orgânico/físicas, mas as dificuldades enfrentadas ao longo dos processos de aprendizagem. São questões como a separação dos pais biológicos, a perda de um ente querido, dentre outros fatores determinantes para estas dificuldades, estas ao se instalarem geram o desinteresse que começa a acarretar todos gatilhos que levaram estes a certos processos de inviabilidades temporárias. Estes em sua maioria, são reversíveis, bastando para isto a colaboração dos próprios envolvidos na busca das soluções devidas.
Já no caso dos transtornos de aprendizagens, é comum encontrarmos estes associados aos fatores orgânicos/físicos e externos, como é caso de transtornos dissociativos (pessoas que possuam problemas psicossociais, TOC – Transtorno obsessivo Compulsivo, déficits e aprendizagens, dentre outros), estes ao conviverem com os demais alunos, podem sofrer Bulling, que potencializará significativamente os problemas por estes jovens vividos.
Além destes, poderíamos citar muitos outros com os quais associados ou não, são geradores potentes de diversos problemas de aprendizagens. No entanto, não é este o foco desta pesquisa bibliográfica, mas o entender das dificuldades da atuação do orientador educacional nas escolas e junto aos seus atendidos.
Sua atuação por diversos motivos não é fácil, mas de vital importância que é, precisará ser efetiva, para que o processo de aprendizagem seja efetivo e capaz de transformar cada um em cidadãos aptos aos progressos destas sociedades. O processo de orientação deve visar a mudança dos paradigmas e dilemas enfrentados por educandos, não somente nas salas de aula, mas ir muito além, nas suas vidas sociais e futuramente no trabalho.
No passado, na verdade as questões que enviam os processos de orientação educacional escolar, estavam atrelados somente as aptidões individuais ao trabalho. Hoje estas características são mais abrangentes, envolvem a formação cidadã, o desenvolvimento de aptidões e capacidades técnicas ou não dentro dos processos sociais vividos por estes alunos.


2 – Características do Fazer Profissional de cada Orientador na Realidade Escolar

Estas características da orientação educacional na atualidade, suas inserções teóricas, levam a atuação dos orientadores educacionais, para bem mais além das questões que envolvem os processos de produção técnica, abrangem uma visão holística, transformadoras das realidades sociais por estes vividas em suas comunidades, portanto, já garantem uma complexidade muito acima do que se possa imaginar em um momento de início de trabalho escolar dos orientadores educacionais em suas unidades escolares.
Nestes processos também será preciso entender as dinâmicas que evolvam o processo de relacionamento professor/aluno em salas de aula, sem os quais poderá o orientador educacional incorrer em erros de direcionamento do seu campo de visão dos processos ali envolvidos. Uma sala de aula é um espaço muitas vezes complexo demais, tendo de se entender as dinâmicas ali envolvidas, como estes relacionamentos acontecem, de forma aberta, onde todos possuam seus limites e os respeitem, se estes limites são impositivos, sem a devida liberdade para os discutir, se em ambos casos existem mecanismo de coerção capazes de limitarem atitudes indevidas, ou até mesmo, se não há o devido respeito, este sim podendo existir de ambas as partes.

A Orientação Educacional vê o aluno como um ser global, que precisa se desenvolver em um meio harmonioso e equilibrado, tanto no aspecto intelectual quanto físico, moral, estético, intelectual, educacional e vocacional.  Conceição (2010) expõe claramente qual a função do orientador na escola e qual a sua contribuição para o ensino: O orientador educacional deve adotar a prática de agente de informação qualificada e estar preparado para as relações interpessoais dentro da escola, aderindo a prática da reflexão permanente com professores, alunos e pais, com o fundamento de que todos, juntos, alcancem soluções para os problemas que virão a ocorrer.

Hoje as dinâmicas de vivência nas escolas, perpassam condições desfavoráveis em todos os sentidos. É neste ínterim que o orientador educacional precisará atuar primeiramente, para após suas observações feitas, ter as devidas condições de entendimento de como atuar e agir. Sabendo que tanto com professores, quanto com os alunos, não terá muitas facilidades. Com os professores, devido ao descaso em que são obrigados a atuarem, com imposições e desrespeito a sua atuação, estes apresentarão certa rejeição, ou interpretarão indevidamente a atuação do orientador, o que acarretará com a sua não colaboração. No caso dos alunos, por em muitos casos já terem ultrapassado os limites do bom senso, da lógica e da realidade, onde muitos já sofreram ou sofrem, situações com as quais não aceitem, que já estejam expostos aos fatores degenerativos sociais da violência urbana, não encararam como sendo algo aceitável e útil a si mesmo.
Portanto, suas dificuldades podem já serem mostradas de cara, no início da sua jornada. Estas dificuldades fazem parte do sistema educacional brasileiro. Condições físicas, conservação das estruturas, as condições gerais, tanto de profissionais como de educandos não são nem de longe as ideais, ocasionando em muitos casos uma sobre carga indevida destes em relação as suas funções de trabalho, são as condições oferecidas aos estudantes, onde em muitos casos ainda persistem casos de pessoas pobres que não possuem condições de comprarem para o estudo de seus filhos micro computadores, tablets, livros, dicionários, etc... mas, estas ferramentas deveriam ser fornecidas de forma conveniente nas escolas? Sim. Mas infelizmente na maioria não o é. Temos de mostrar através de exemplos estas condições que sustentam ainda, as dificuldades de alunos de escolas públicas. Se o professor, por exemplo, pedir um trabalho de pesquisa na internet, este educando terá imensa dificuldade, pois, na maior parte das escolas existem computadores, em outras tantas interligados aos computadores, mas o que causa estranheza é, estes quando estão disponíveis aos estudantes, o são de forma parcial, não assistida, ocasionando sérias distorções. Estas pesquisas pedidas, dificilmente serão cumpridas no ambiente escolar, pois os obstáculos e exigências das secretarias escolares são quase intransponíveis, levando aos serviços prestados por pessoas externas ou lojas especializadas em serviços de informática. O que limita e muito as questões de aprendizagens envolvidas.
São estas as principais, dentre muitas outras, questões que ocasionam sérias distorções na aquisição de conhecimentos. Estes acabam por inserirem questões de distorções e falta de interesse pelos estudos e pesquisas. Tornam menos atrativo as ações das salas de aula junto há um público que já faz uso destes meios, ou nos casos extremos que não possuem meios para a realização destas pesquisas fora da escola. Estes fatos não podem e não são facilmente resolvidos pelos orientadores educacionais. Outras questões que envolvem a atuação dos orientadores educacionais na esfera escolar, são as muitas limitações impostas pelos sistemas educacionais existentes. Vamos a estes fatos em si mesmo. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), promulgada em 1996. Ao afirmar e trazer uma série de benefícios que amenizaram as distorções salariais de professores do primeiro segmento da educação brasileira, deveria corrigir uma das faces mais injustas dos sistemas educacionais, o salário dos professores.
Cabe ressaltar que, estes ainda não ganham o que a LDB afirma ser o ideal. Então de onde vem os fatos que trazem estas distorções? Dos Municípios. As verbas do FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação), chegam e as prefeituras não os repassam de forma justa entre os seus educadores, uma série de direitos lhes são suprimidos, tipo: um professor que tenha de pagar passagens, não o fará através do que na iniciativa privada é obrigatório, o vale transporte. Portanto, tudo isto posto, juntamente com certas direções escolares que agem e forma a parecerem donas das escolas, acabam por tornar a ação docente nestas unidades escolares, um relacionamento hierárquico não igualitário, baseado em condições de subornação absurda. Além disto, os próprios sistemas educacionais municipais, seus estatutos e orientações acabam por envolverem todos em situações que chegam ao insustentável, por isso tudo a carreira docente é ano após ano a que mais perde profissionais de seus quadros.
Na verdade a educação como um todo, para todos os seus profissionais, não oferece condições atraentes, que façam jus a uma real dignificação do magistério. Cabe ressaltar que as questões salariais ainda são um degrau de difícil acesso aos educadores, que em grande parte dos Municípios nem o salário estipulado como sendo o básico para os docentes é pago. O salário que o Governo Federal estipulou como base legal para o magistério, para os professores do 1º segmento da educação básica, hoje é de R$1.950,00 vindo como complemento verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Está é uma verba que é complementada pelo Governo Federal para este salário ser o mais próximo ao que o governo brasileiro estipulou ser um patamar que dignificasse o magistério, no entanto o que vemos acontecer é exatamente o oposto, pois em muitas Prefeituras de pequeno ou de médio porte, os docentes do primeiro segmento ganham entre 900 e 1100 Reais. Estes fatos em si descaracterizam uma real retomada da valorização docente, pois obriga estes profissionais a trabalharem em diversos horários, arcarem com custos para uma melhor formação, isto sem falar que o poder público, a pretexto de dar estabilidade, se exime de cumprir diversos direitos legais como o vale transporte.


3 – O Contexto de sua Atuação

Os orientadores educacionais no contexto escolar, enfrentam grandes dificuldades no cumprimento de suas funções. Quando o sistema não lhes oferece as condições de trabalho adequadas, suas funções são imensamente prejudicadas. Os resultados, até podem vir, com grandes dificuldades, mas estes não serão os mesmos, ocorrerão de forma inconstante ou parcial, o que não é esperado, pois o que se tem por objetivo e a sua total debelação das classes escolares e da vida destes educandos. Para tanto, precisará de se valer de todas as ferramentas teórico/práticas a que possa dispor dentro de sua esfera de atuação.
Os maiores problemas a que passam os orientadores educacionais no cumprimento de suas funções poderiam ser enumerados de várias formas, dependendo do ponto de vista em que se olhe. Mas, aqui vamos nos ater aos que possa ou enfrente dentro de suas instituições educacionais. Pois estes, podem compor um grande mosaico de situações prováveis. É ali que entenderá os anseios das equipes de trabalho pedagógico/escolar. Conviverá com os mesmos, deles fazendo parte em cada instante, será onde terá o conhecimento de cada nuance e dilemas enfrentados.
Por lidar com bastante diversidade a escola e os seus profissionais acaba por receber diversos impactos, sendo que destes, em sua maioria são negativos. Com estes ocasionando todo tipo de divergência, e convivência difícil. Basta citar sem, no entanto, se aprofundar no assunto, pois não é este o enfoque das nossas observações e analises, mas a observação das dificuldades dos orientadores educacionais frente aos dilemas ali vistos, os problemas de aprendizagens advindos de situações problema na vida de cada aluno.
Cada um dos alunos em processo de aprendizagem escolar, ou por situações pertinentes ao seu processo de educação familiar, ou por influência de suas comunidades acabam por enfrentar em algum momento algum tipo de dificuldade de aprendizagem. Esta pode cessar ou não, dependendo dos fatores que geram a mesma. Por exemplo: um aluno que enfrente o processo de separação conjugal de seus pais, com certeza manifestará alguma situação problema dentro da escola.
Com o auxílio do orientador educacional este problema pode ser superado, no entanto, para algumas crianças pequenas este poderá ser um fator de complicação além do que conseguirá dirimir e suportar. Como nas duas últimas décadas estas separações se acentuaram significativamente, temos visto crescer também o número de crianças com atrasos e desinteresses escolar.
A família por ser a base de toda a sociedade, é também a base e modelo para qualquer criança ou jovem. Uma família que demonstre o interesse, a compreensão e correção com seus filhos, dificilmente os verá crescerem com acentuados problemas, demonstraram ser crianças e jovens com melhor visão da vida, com bom padrão de tratamento, tendo um comportamento mais calmo e centrado em objetivos mais sólidos, ao contrário de crianças que em qualquer momento de sua infância tenha vivido o processo de separação conjugal de seus progenitores.

Baseado em uma pesquisa bibliográfica com diversos autores, o trabalho visa esclarecer o envolvimento do professor na escola, não só com o aluno, mas com a família do mesmo, para ter uma base de sustentação da proposta pedagógica no seio familiar, onde além da instrução escolar, também os pais poderão auxiliar no desenvolvimento do filho na escola, através do simples acompanhamento, da atenção, e principalmente da boa vontade para com seu filho na apresentação de valores que levem ao crescimento da pessoa humana. Acesso em 20/11/2017 http://centraldeinteligenciaacademica.blogspot.com.br/2016/04/relacao-entre-orientador-educacional-e.html

Com certeza os orientadores educacionais perceberão serem estes os problemas de pior resolução em sua atuação. Perceberão também serem estes os casos com mais integrantes. Os motivos são variados e não é o alvo desta presente pesquisa. Somente sendo necessário comentarmos sobre as formas como interferem no ensino escolar destes, para mostrarmos o quão é problemático e difícil de solução os casos de separação familiar.
Para o orientador educacional direcionar sua orientação em meio a estes complicadores terá de fazer um esquema bem elaborado de todas as faces deste mesmo problema, sem o qual incorrerá em dificuldades no final do processo de orientação. Terá conversar, inclusive com os responsáveis, pois tendo de tecer um mosaico amplo dos fatos em si, buscando todos os geradores de conflitos e tensão. Sem estes o processo de orientação não apresentará o quadro real, levando a entendimentos parciais, impossibilitando uma tomada de decisões de sua orientação educacional escolar. Terá de articular de forma elaborada esta orientação para a solução dos conflitos gerados.
O Bulling – O Bulling em si só já representa uma situação de risco, barril de pólvora próximo a propagadores de calor. Estes não queimam logo, do contrário inspirariam maiores cuidados, mas ao negligenciar que o calor excessivo pode acionar o acendimento desta pólvora, a pessoa se acomoda, quando percebe já não há mais tempo hábil para uma retomada dos cuidados não tomados. Assim é o Bulling. Normalmente uma criança/jovem, começa por dar apelidos, realçar uma característica física ou de personalidade. Quando não se nota estes eventos de forma antecipada, acabasse por cometer o mesmo erro do caso da pólvora. O calor dos eventos relacionados ao Bulling fará o seu estopim” se acender. Recente temos acompanhado notícias drásticas sobre tragédias envolvendo o Bulling, a mais recente em Goiânia, Goiás. Onde um jovem matou dois colegas de escola e feriu diversos outros.
A orientação educacional tem como amenizar e muito tais eventos. Podendo até mesmo a retirá-los do conviver escolar. Fácil? De forma alguma, no entanto, quando se percebe de forma antecipada, consegue-se agir em prol ações concretas com todos os envolvidos, tais casos passam a apresentarem poucos resquícios do que poderia se configurar em atitudes trágicas, envolvendo inclusive alunos que nada tenham a ver com tais eventos. Só para citar, as grandes tragédias norte-americanas, que envolveram ao longo das três últimas décadas, tanto alunos quanto professores e fez inúmeras vítimas, se configura em uma questão de, em sua maioria, questões que envolveram o Bulling.
A orientação educacional tem por finalidade direcionar, solucionar, criar aspectos que favoreçam o processo de ensino aprendizagem. É uma de suas prerrogativas o trabalho com os conflitos escolares de educandos, seus problemas escolares ou não, ou seja, procurar entender o que provoca o desânimo, direcionar e dirimir sobre os conflitos comportamentais destes alunos, direcionando-os para a aquisição de um conviver harmônico e harmonioso, não somente no ambiente escolar, mas até mesmo em suas vidas cotidianas, procurando dar ênfases claras de que a educação é transformadora de realidades, levando estes a criarem o desejo por vencerem os seus mais significativos obstáculos, dos quais o mais importante a ser superado são os de aprendizagem, que podem coloca-los perto ou longe de aquisições significativas de suas vidas.
A educação ainda é e será, transformadora de realidades. Sem este entendimento, nem professores nem orientadores educacionais conseguirão cumprir significativamente as suas funções. Estas funções estão ligadas diretamente a transformação social. Delas se espera muito. Mesmo com todas as dificuldades, a educação ao longo dos séculos vem mostrando sua capacidade de fazer com que pessoas mesmo sem perspectivas anteriormente, criem estas perspectivas, avancem e vençam os obstáculos da pobreza e do anonimato.
Desde que se criou a primeira escola e universidade, estas sociedades experimentaram um crescimento como nunca antes. Quando ainda nas sociedades baseadas no patriarcalismo, onde as mulheres não eram tidas como aptas ao aprendizado formal, onde somente uma pequena parcela tinha acesso ao estudo do conhecimento humano, sendo considerados sábios os que ali conseguiam adentrar, mas mesmo assim e com imensas dificuldades estas sociedades cresciam. Após a quebra destes imensos paradigmas da educação formal, com a universalização da educação, a humanidade experimentou um enorme crescimento e avanço tecnológicos.
Neste processo, ao longo dos últimos três séculos, foram se abrindo mais e mais as portas da educação para toda a população, os avanços em consonância, não se limitaram mais aos pátios de universidades, o conhecimento nunca antes esteve tão aberto para todos. E neste entendimento, cabe ressaltar a importância de todos os profissionais da escola, dos quais os orientadores educacionais, principalmente ao longo de todo o século XX, desde que inicia suas funções, ainda como orientação vocacional, mas que veio crescendo em importância e significância diante da sociedade e dos educandos por ela atendidos.
Hoje além de fatos ligados as aptidões vocacionais, sua linha norteadora, mas já não somente. Enfatiza o direcionamento, a solução dos conflitos escolares e de aprendizagem. Volta-se para a integralidade do educando ao sistema educacional de forma ao seu total aproveitamento no aprendizado. Tem hoje como uma de suas bases o auxílio e a proximidade com as sociedade e comunidades do entorno, cumprindo um papel de excelência social, quando consegue criar outros pontos de vista nestas comunidades.
Dentro da escola sua importância é logo observada nas escolas que não mantém em seus quadros funcionais estes profissionais. Logo vê-se e nota-se a ausência de um direcionamento adequado dos conflitos ali gerados. Quando da existência do orientador educacional, estes conflitos ou diminuem ou deixam de existir, pois sua base de atuação e ações são em virtude destes. Dentro de uma equipe multidisciplinar, é aquele que resgatará as virtudes, aptidões e o interesse dos educandos por seu ensino/aprendizagem.
O orientador educacional é aquele profissional que reuni as técnicas e teorias capazes de “juntar” em cada aluno as capacidades e direcioná-las, mesmo que de forma momentânea este passe por um processo de falta de auto afirmação e demonstre incapacidades de aprendizagens ou dificuldades neste processo em si. Ao colocar na pauta de discussões, às saídas viáveis, em patamares ideais, frisar condições necessárias em relação as dificuldades enfrentadas, municia cada um de ferramentas capazes de leva-los a superação de seus dilemas e ou dificuldades.
Dentro do espaço institucional da escola, as direções propostas, quando fixadas em parâmetros visíveis para estes educandos, em muitos casos, ao ser visualizado mostra o quão simples é a sua real superação. Quando um aluno que passe por uma situação de Bulling por causa de algum apelido, estes fatos acabarem influenciando negativamente sua aprendizagem. Ao ser orientado reconheça que tudo aquilo é pouco para afetar todo o seu aproveitamento escolar, ele mesmo tecerá estratégias para a sua superação. Claro, na maior parte dos casos não há esta simplicidade. Mas, de uma forma geral, quando é encontrado a solução, para a maioria, reconhecesse que tais problemas não justificam a inviabilização escolar.
O orientador educacional escolar atua exatamente dentro destas problemáticas causadas por distúrbios gerados, procura a compreensão do todo, o envolvimento destes com os fatores geradores, suas prováveis soluções e saídas, usará ferramentas teóricas com as quais possa ter o devido embasamento para a sua prática. Tendo uma visão sistêmica e holística, onde entenda todas as possibilidades no sistema para cada caso, suas saídas disponíveis e consequente solução. Por outro lado e fora do espaço educacional, construirá um quadro amplo das situações que envolvam estes educandos e gerem estas dificuldades de aprendizagem.
O grande problema da atualidade escolar é a indisciplina. Esta situação de nossos jovens se manifesta já nas famílias, se estende as escolas e pode causar danos sérios aos educandos. A aprendizagem escolar tem sofrido os impactos provenientes da indisciplina e violência infanto/juvenil. Esta violência gera grandes defasagens na aprendizagem de crianças e jovens. Estas defasagens trazem sérias consequências. São por causa do envolvimento destes jovens com a criminalidade, seja por conta das muitas paralizações forçadas pela criminalidade gerando déficits de conteúdo ao longo dos estudos e do ano letivo.
Dentro destes espectros todos, o orientador educacional precisará de muita articulação para levar um entendimento capaz de amainar as condições desfavoráveis destas escolas. Sempre buscando o entendimento do seu entorno, não somente das condições escolares. Para assim entender todos os pormenores que envolvam estes alunos e as condições em que vivam e de que forma a escola funciona. O entendimento de todas as condições a que estes alunos estejam submetidos, precisa de muita atenção, sem as quais o orientador poderá não ter em seu campo de visão, as condições reais das suas dificuldades e defasagens no aprendizado.
Hoje existem nas atividades docentes muitos transtornos e dificuldades de aprendizagem, das quais, um número bastante significativo, advém de atitudes inconvenientes que acabam por prejudicar o aprendizado, destes o desinteresse é com certeza o mais sério e danoso para estes estudantes em fase escolar de alfabetização (entendendo aqui as orientações do MEC – Ministério da Educação), que consideram a alfabetização como um ciclo de três anos, iniciados no primeiro ano e tendo fim no terceiro ano.
A falta de interesse ocasiona um comportamento inadequado, sem atenção, desfocado, muitas vezes sem o interesse de estar na sala de aula. Desta forma a criança conversa, brinca, corre e sua atenção dificilmente será para as aulas dadas, o que a leva a não entender as explicações dadas por seu educador, consequentemente, não assimila os conteúdos dados.
Há uma grande discussão em torno das aulas sem atratividade, sem materiais pedagógicos apropriados, com quadros negros ainda. Mas, cabe ressaltar o fato de que em determinados lugares repletos de dificuldades, usa-se somente um quadro negro e giz. Como o fato de uma professora do interior do Estado do Rio de Janeiro, que ao se ver com sua sala de aula destruída por uma enchente, levou seus alunos para baixo de uma árvore na Praça da Cidade. Estes alunos conseguiram aprender e fazer pequenos textos e continhas simples. Claro a professora era muito engajada com seus educandos e estes abraçaram os ensinamentos desta. Quando há foco e interesse o aprendizado é facilitado, podendo acontecer de forma efetiva em cada aluno e na fase certa.
O orientador educacional precisa ver este ponto crucial das salas de aula, o relacionamento professor/aluno é de suma importância, como no caso da professora que ensinou na Praça, isto só se torna possível quando há uma confiança, que vem através de um relacionamento de respeito e confiança. Esta é uma das construções mais vitais ao orientador educacional, sem a qual nenhum profissional da educação conseguirá êxito no que faça.
Para a orientação educacional e o orientador, esta confiança é a sua ferramenta básica, com a qual terá de lançar mão para a conclusão de suas ações. Precisará de inspirar este sentido em cada um dos envolvidos, para a partir deste momento, construir os trilhos capazes de avançar sobre os obstáculos mais sinuosos e difíceis da sua atividade de orientação.
Estes trilhos precisam de credibilidade e confianças, sem os quais não terá o envolvimento dos seus educandos no processo de orientação, poderá até ver estes fazerem algumas mudanças, mas nunca com a consistência e envolvimento real. Para que este envolvimento se de forma completa, tendo a credibilidade do participante, acreditando e envolvido que esteja, passe a fazer das orientações seu sustentáculo para a superação de suas dificuldades e ou dilemas, cabe ressaltar que estes casos citados, são de alunos sem transtornos ou síndromes, para estes o tratamento adequado com psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos se faz necessário, portanto, além da sua orientação, deverá buscar o envolvimento de uma equipe multidisciplinar no caso. Assim sendo, terá a possibilidade de amenizar ou resolver tais dilemas, por exemplo: uma criança ou jovem com dislexia, somente obterá os resultados esperados ao ter seu caso aos cuidados desta equipe multidisciplinar.
Estas são as grandes dificuldades que a orientação e os orientadores enfrentam em sua pratica diária. Preciso será para o sucesso da atividade de orientação educacional a busca de condições e ações adequadas a esta importante intervenção escolar, a orientação de jovens com dificuldades escolares, sejam estas dificuldades quais forem, estes alunos conclamam juntos por socorro, de onde as escolas precisam em sua atividade socializadora, de métodos e práticas com as quais possam intervir, solucionar e auxiliar cada um dos casos a ela confiados.
      
Considerações Finais

As dificuldades educacionais que percebemos e vemos no contexto das escolas públicas brasileiras são elevadíssimos. Estas dificuldades são no âmbito social, familiar e consequentemente educacional. A aquisição da escolarização no Brasil, ainda é muito difícil. Ainda temos de conviver, em ordem: com baixíssimos salários, má formação acadêmica, quando esta existe, desagregação sócio/familiar muito grande, violência, além de uma falta de liberdade curricular capaz de inserir nos currículos escolares conteúdos com capacidade de entendimento de forma ampla, associativa e contempladora da realidade vivida, sem as quais o foco para o ensino sempre será menor do que o necessário. Para cada orientador educacional em atuação escolar, está lhe será um desafio, sendo por ele necessário o entender o entorno, as nuances de caso atendido, hipóteses que levaram este ou estes alunos a enfrentarem estas condições, quais as condições de convivência escolar que enfrente. Assim sua com preensão e atuação conseguirão se embasarem em aspectos legítimos para o pensamento de cada educando. 
  
Referências Bibliográficas

BOLLER. Rosana Carvalho. A Importância do Trabalho Integrado entre Orientador Educacional e os demais Integrantes da Equipe Técnico-pedagógico. Disponível em:
 http://www.avm.edu.br/monopdf/4/ROSANA%20CARVALHO%20BOLLER.pdf. 
Acesso em: 05/11/2017 às 15:44h.
FLACH, Loraine. A Importância do Orientador Educacional no Contexto Escolar. Apud CONCEIÇÃO, Lilian Feingold. Coordenação Pedagógica: Princípios e ações em formação de professores e formação do estudante. Porto Alegre: Mediação, 2010.
Disponível em: http://centraldeinteligenciaacademica.blogspot.com.br/2016/04/relacao-entre-orientador-educacional-e.html. Acesso em 20/11/2017. Às 17:04h
PEREIRA. Elza Carneiro. Atuação do Orientador Educacional Junto aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais. Universidade Candido Mendes. Disponível em: http://www.avm.edu.br/monopdf/4/ELZA%20CARNEIRO%20PEREIRA.pdf. Acesso em: 05/11/2017 às 15:32h
1º Simpósio Nacional de Educação XX semana da Pedagogia. 11, 12 e 13 de novembro de 2008. Uni oeste – Cascável. PR
Silva, D. N. (2014). Significações de pais e professores sobre a relação família-escola: as armadilhas de um (des)encontro. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador. Disponível em: https://pospsi.ufba.br/sites/pospsi.ufba.br/files/demostenes_neves_tese.pdf. Acessado em: 23/06/2017. Às 11:20h


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

  é aonde meus documentos vivem!

terça-feira, 12 de julho de 2011

UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO. ATUALIDADES, E DIFICULDADES NAS SALAS DE AULA.

UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO. ATUALIDADES, E DIFICULDADES NAS SALAS DE AULA.
Jones D’ Arques de Souza1


A função educativa na atualidade tem exigido cada vez mais dos educadores uma melhor formação, métodos de ensino diferentes, capacidade para tratar e falar de assuntos variados, além, é claro, das questões emocionais dos educandos. Em todas estas questões o professor precisa atuar, de fato, como educador e dominar um pouco de outras áreas de conhecimento e, sobretudo, a psicologia. Este quadro atual das nossas Escolas tem colocado uma dificuldade muito grande na atuação de todos os docentes. E estes educadores e educadoras não tem sido amparados diante de suas dificuldades, porque a estes não são dadas as oportunidades de formação adequada ao processo de ensino aprendizagem atual, as questões das suas salas de aula muitas vezes lhes são completamente desconhecidas.
Em grande parte vemos estes educadores despreparados para entender e ajudar os seus alunos nas suas aflições escolares, até mesmo porque muitas das questões destes educandos transcendem as classes escolares. A introdução da informática na vida das pessoas e na sociedade trouxe muitos benefícios. Na contramão ficou a Escola, com seus métodos antigos, com seu sistema tradicional e que não permite realizar mudanças com a rapidez exigida pelos meios tecnológicos. Os meios tecnológicos trazem para as salas de aula um componente dificultador maior que os benefícios iniciais. O uso indiscriminado de aparelhos como: I-pods, Mp4, celulares, etc, dentre tantos outros aparelhos eletrônicos, com toda certeza são benéficos, mas nas salas de aula trazem mais malefícios que benefícios, atrapalhando a fixação do aprendizado. Como deve, pois o professor (a) atuar diante destes dilemas? Refletindo continuamente sobre o seu modo de atuar como educador que é, renovando os métodos nos quais exerce a sua função, buscando uma formação continuada. No entanto, ao buscar proceder desta forma verá que outras dificuldades existiram. As questões salariais aparecem aqui como um delimitador muito sério para a reciclagem dos docentes. É, portanto de uma urgência inegável, a necessidade da participação governamental para a solução dos problemas que atingem as classes escolares e as Escolas de uma forma avassaladora.
Precisamos dar soluções para estes dilemas enfrentados por professores e alunos em sala de aula. E para chegarmos a algum resultado temos de melhorar a formação docente e também as condições do ensino de uma forma geral. Visando o fornecimento de reflexões, que sejam capazes de auxiliar na tomada de uma posição por parte dos educadores (as), assim buscamos nestas reflexões mostrar uma parte dos fatores geradores das dificuldades da sala de aula. A sociedade mudou, as pessoas mudaram e os nossos Educandos não são os mesmos de décadas atrás. Existem hoje outras necessidades que precisam fazer parte da Educação escolar. As classes escolares clamam por mudanças. Estas até tem acontecido, no entanto ainda de forma muito lenta, consequentemente, não acompanhando as transformações processadas no tecido social. Na função educativa temos e devemos buscar ferramentas educacionais que alcancem os sentimentos de nossos educandos. Esta busca se mostrará eficiente em sua função quando o aluno aprender devidamente os conteúdos a ele ministrados. O educador deve ter em seus métodos o afeto necessário à fixação do que pelo próprio é ensinado. Nesses dias, onde o aluno ao entrar em sala de aula, já está querendo sair, pois, acha desnecessário o que a ele é ensinado. Considera todos os exercícios um enfado e, certamente, gostaria e queria estar em uma lan house jogando seus preferidos vídeo games, trocando mensagens em um MSN, ou em seu Orkut. Na contramão dos fatos atuais encontra-se a escola com seus quadros negros, exercícios que não se mostram parte da vida do educando e de sua realidade.
Os educadores, infelizmente, também corroboram para que esta visão, dos seus alunos, se concretize. Ao dissociarem os conteúdos ensinados do dia-a-dia, da prática de vida de cada um dos educandos, faz com que estes não encontrem o verdadeiro significado da Escola em suas vidas, não conseguindo deixar bem claro este significado, logo estes alunos voltarão sua atenção para algo mais ‘atrativo’, as salas de bate papo on line e outros recursos tecnológicos da atualidade. Ao não construir um currículo que contemple a atualidade, com a facilidade trazida junto com a democratização da informática, a ampla divulgação das noticias e a consequente transformação do mundo pelas mesmas, não visualiza as necessidades de um mundo dinâmico o qual muda a todo instante. Ao proceder desta forma torna sua função sem a devida importância para seus alunos.
Como tornar a Escola atrativa? A esta pergunta poderemos acrescentar inúmeras respostas. Informatizar, melhorar a qualidade do corpo docente, acrescentar à sala de aula recursos áudio visuais e multimídia é uma maneira moderna de envolvimento discente. As propostas educacionais normalmente vêm de cima para baixo, em uma ordem totalmente inversa do que seria natural. Sem a participação dos professores, diretores e demais trabalhadores da Escola estas propostas jamais coincidirão com as reais necessidades complexas de alunos e educadores, gerando uma Educação aquém das expectativas de ambos os protagonistas.
A história da Educação nos mostra o quanto foi transformada e modificada a Pedagogia ao longo dos últimos séculos. De uma Educação jesuítica, embasada na educação religiosa, repressora, com uma visão claramente elitista, para uma democratização do ensino, passando a ter uma visão universal onde de todos tem o direito a Educação Escolar. Mas, uma Escola onde se obriga educar a todos, sem distinções, ainda em nossos dias é inexistente. O que dizer então do Educador neste quadro? Logicamente, não houve o devido preparo, a devida formação e qualificação dos quadros dos Trabalhadores e mesmo a formação docente ficou na obrigação de cada um educador se formar.
Temos tido ao longo desse tempo, principalmente nas décadas mais recentes uma busca, um incentivo pela qualificação docente, sem, no entanto torná-la uma política de Estado. Hoje toda a formação docente esta a cargo do educador. O Estado nem mesmo tem um plano de valorização dos quadros formados. Hoje não podemos e não devemos ter uma visão romântica de nossas salas de aula. A realidade é outra. E, é bem diferente de épocas passadas. Hoje, as famílias ou são ausentes ou colocam seus filhos na Escola para terem uma Educação escolar e familiar, o que é totalmente errado. A escola não substitui a família. Este quadro da Escola, do Discente e dos Educadores, já seria o suficiente para termos a necessidade de uma formação mais ampla. No entanto, com as necessidades tecnológicas do trabalho, das patologias advinda de uma vida turbulenta e cheia de muitas responsabilidades, que normalmente acabam por levar a um quadro de stress, consequentemente, a alterações neurológicas sérias. Os Educadores estão expostos a todos estes fatores patogênicos, inerentes a uma função que nos últimos tempos se tornou de risco, necessitando logo, de uma formação que o ampare no trato com este quadro Educacional, os problemas de seus Educandos e as situações familiares por eles vividas. É, pois, necessário buscar na psicologia da Educação, na psicomotricidade, dentre outras existentes, a qualificação para o trabalho com todos estes alunos, seus dilemas e déficits de aprendizagem. Não podemos, nem devemos pensar que esta situação venha a se concretizar. No entanto, a atual situação vivida em nossas salas de aula começa a ganhar contornos insustentáveis, e inimagináveis, onde em vários pontos de nosso país observamos professores e professoras acalentando a ideia de abandonar o magistério. Outras profissões na sociedade possuem um alto conceito junto à população e ao público em geral. Médicos, advogados e engenheiros todos possuem condições de trabalho bem mais elevadas que os professores, como salas climatizadas com materiais apropriados para a sua profissão, o que está na contramão da educação. Portanto, as condições de trabalho são as mais difíceis possíveis, com salários baixos e atrasados dentre outros contratempos que contribuem para agravar o quadro de abandono generalizado da Educação em nosso país. O sistema de Ensino particular também não escapa destas problemáticas, porque também tem suas ‘escolas’ e ‘jardins’ sem regularização e quando regularizado, as condições salariais são escandalosas. Portanto, para estas condições e ‘patrões’, acreditam, não existe Educação sem professor.


PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO; DIFICULDADES; ORKUT; IPOD; MP4.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RESUMO

A violência doméstica tem afetado de forma avassaladora as nossas crianças. O seu desenvolvimento escolar e emocional, criando uma geração muito propensa à violência social. Ao procurar entender o que, e como se dá estes tipos violência contra crianças e adolescentes, em seus próprios lares, onde por convenção deveriam desfrutar de condições propício ao seu bom desenvolvimento sócio emocional, entenderemos parte deste problema tão sério, e difícil de solucionar, principalmente por não existirem medidas únicas, e sim por estarem correlacionados há outros fatos que levam a existência da violência, tais como: o alcoolismo, dependência química. A exposição destas crianças e jovens se dá mais devido ao fato, de que, medidas de combate ao tráfico de drogas, e campanhas contra o uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, só fizeram parte de campanhas governamentais a partir da década de 1990. Sendo ainda, a violência gerada do tráfico de drogas, e criminalidade em geral, fatores que deixam as famílias de baixa renda muito expostas a estas formas de violência. Estas populações foram durante muito tempo levadas a viverem quase que marginalizadas. Em consequência seus filhos ficaram expostos há criminalidade. Seus pais também sofreram este processo de marginalização, consequentemente, as famílias formadas daí, tiveram sérios problemas em sua socialização, vindos ocasionar sérios danos sócios emocionais e de aprendizagem escolar.

Palavras–chave: Violência. Infância. Adolescência.


SUMÁRIO


INTRODUÇÃO..................................................................... 8
1 INFLUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO ENSINO................................... 9
1.1 A VIOLÊNCIA ATINGE A CLASSE ALTA E BAIXA...................................... 14
1.2 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A FAMÍLIA................................................ 16
1.3 FAMÍLIA E ESCOLA – INSTITUIÇÕES PARCEIRAS...................................... 18
2 PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA CRIANÇA VÍTIMA..................................... 21
2.1 OS JOGOS NO PROCESSO DE CURA DA VIOLÊNCIA...................................... 26
CONCLUSÃO...................................................................... 28
REFERÊNCIAS.................................................................... 29


INTRODUÇÃO

Este trabalho foi realizado com o objetivo de conhecer as dimensões da violência, denunciar e mostrar casos de violência doméstica que ainda são desconhecidos e que trazem sequelas irreparáveis a muitas crianças. O grande desafio na construção deste texto foi analisar e mostrar que existem muitos tipos de violência que atingem o nosso país. Tanto as grandes cidades quanto o campo.
Está em destaque, neste trabalho, a violência que ocorre no âmbito doméstico, lugar onde deveriam existir plenas condições para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças; um lugar que convencionou-se chamar de lugar de paz, ou seja, sem perigo.
Os fatores geradores da violência são vários: baixo poder aquisitivo, falta de diálogo entre pais e filhos, desemprego, alcoolismo, dependência química, dentre outros. Estes são analisados aqui, procurando verificar como contribuem para a desestruturação e o desequilíbrio emocional das crianças, ocasionando sérios prejuízos para a aprendizagem.




1 INFLUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO ENSINO


Quando se apresenta a questão da violência, parece pensar-se apenas em um tipo: a específica, a violência física. Ignora-se que ela seja algo que ocorre em muitos espaços e tem várias dimensões, além de poder ser de várias formas.
Na verdade a violência manifesta-se de diversas formas, envolvendo pessoas agressoras e vitímas de idade, sexo, classe social, raça, religião e nacionalidade também diversas. Pode ocorrer dentro da família, contra crianças, jovens, mulheres, idosos e portadores de necessidades especiais. Pode ocorrer na escola. Nas cidades chamamos violência urbana: homicídio, violência no transito, violência ambiental. Mas pode ser detectada no campo e se manifesta, muitas vezes, pelas condições desiguais de posse da terra.
A violência está no mundo com as guerras e atentados terroristas. Está relacionada também ao desemprego, à falta de saúde, à falta de educação, à corrupção, aos baixos salários, à fome, à miséria, à inflação, à falta de habitação, ao quadro de desigualdade social, à falta de projetos econômicos de crescimento e à falta de segurança que, somados, acarretam a violência estrutural e social que rodeia a população brasileira e mundial.
As causas de falta de segurança e da violência são múltiplas e complexas, necessitando de medidas emergenciais por parte do governo, porque ela abrange situações que acontecem em muitos lugares e chegam a nossa consciência com tamanho e valores diferentes. Isso porque, segundo a constituição da República Federativa do Brasil (BRASIL, 1988, art. 227),

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito a vida, à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária de colocá-los a salvo de toda forma negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

A sociedade deixa fragilizadas as pessoas que estão sem emprego, resultando em revolta e o consequente desequilíbrio emocional. Isso é uma das principais causas de geração de conflitos e violência, inclusive doméstica.
A violência, especialmente nas grandes cidades, parece tão entranhada em nosso dia a dia que pensar e agir em função dela deixou de ser um ato circunstancial para transforma-se num ato de sobrevivência. As pessoas vivem amedrontadas e muitas vezes querem morar no interior por ser um lugar tranquilo, com menos tráfico de drogas, assaltos, sequestros, agressões e uma série de outros tipos de violência.
A família e os seus integrantes sofrem este processo (violência), onde nem mesmo as crianças escapam as suas consequências, chegando até mesmo aos recém-nascidos, que para o ECA, é incapaz de se manter, defender-se, e sobreviver só, necessitando, portanto do adulto para suprir suas necessidades. O artigo 5º do Título I das disposições preliminares do ECA Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) anuncia que nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ocasião ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
O abuso de poder pode levar o adulto a ser violento com seus próprios filhos, comprometendo os mesmos em seu desenvolvimento cognitivo, interferindo negativamente nas suas produções, na concentração mental, interação e integração com seus colegas, pois a criança se sente como alguém incapaz de expor seus sentimentos. Outras vezes, se torna uma criança agressiva que não sabe receber afeto, mas só bater, porque foi isso que aprendeu em sua casa.
Há, portanto, dimensões da violência que parecem “invisíveis”, pois não as reconhecemos como violência. Parecem coisas naturais, fruto da fatalidade ou destino, como a discriminação contra as pessoas por nacionalidade, origem regional, opção sexual e raça. Em sua maioria são as crianças as principais vítimas da violência doméstica, como foi noticiado pelo Jornal Extra, edição do dia 25 de maio de 2009, à pag.12:

Criança sofria tortura dentro de sua própria casa, os pais foram denunciados pelos vizinhos. A criança apresentava ferimentos pelo corpo e sinais de desnutrição. Segundo a polícia, a criança contou que passava a maior parte do tempo presa no banheiro, não comia direito e apanhava da mãe e do padrasto. Apresentava, também, queimaduras em suas mãos.

Esse tipo de violência doméstica é a forma mais comum de diagnosticar, pois está geralmente associada a uma punição ou disciplina e com frequência se encontra marcas do instrumento utilizado na agressão, tais como cintos, fivelas, cordas, dedos, objetos cortantes, sendo geralmente repetitivas e aumentando de intensidade a cada investida. As lesões mais frequentes são hematomas encontrados simetricamente em regiões como tronco, nádegas e coxas. Podemos encontrar, também, lesões como queimaduras de 1º, 2º, e 3º graus. Estas são muito comuns nas nádegas, mãos e pés. A criança se vê indefesa diante de tal situação.
A criança, quando espancada, frequentemente pode sofrer lesões irreparáveis como traumatismo abdominal e craniano. Essa tem sido a causa de milhares de óbitos infantis. Um terço das internações de crianças nas emergências dos hospitais é por causa da violência doméstica.
A violência física é bastante comum em criança de zero a 6 anos. As fraturas são frequentes, podendo ser únicas, múltiplas, antigas e recentes com idades diferentes de consolidação. Quando acontece de a criança sofrer fraturas de costelas, o médico exige um raios-X completo do esqueleto para detectar outras fraturas já consolidadas. Muitas famílias têm como método de agressão física, um meio e forma de “educar” os seus filhos. Há ações comuns de sacudir, sufocar, queimar, espancar e até mesmo uso de revólver. Esses são métodos classificados como graves de educação dos filhos. Muitas mães acham que um “simples” beslicão, palmada ou um tapinha quando necessário não faz mal a ninguém, não sabendo ela que pode atrapalhar o aprendizado da criança.
A violência psicológica não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes para o resto da vida. Caracteriza-se pela rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições aplicadas exageradamente, ocasionando sequelas irreversíveis. Ela é feita com agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas.
O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido, dramático e com notável tendência por buscar atenção. A pessoa histérica conquista seus objetivos através de um comportamento afetado, exagerado, exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da plateia. Usa também do silêncio, isolando-se no quarto, ou recuando-se a não querer incomodar ninguém. São atitudes que as pessoas apresentam de imediato, para conseguir seu objetivo. A pior atitude do histriônico é quando quer fazer tudo com perfeição para mostrar o tamanho da incompetência do outro. A pessoa que apresenta esse perfil tem satisfação em ver alguém ser inferiorizado. Essa situação ocorre muito com os pais.
A violência verbal é manifestada quando agressores verbais dirigem-se a outros membros da família, incluindo momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar, infernizando a vida do outro com questionamentos sem fundamentos e atribuições errôneas do comportamento do outro que, muitas vezes, se cala. O silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa. Nesses casos a arte do agressor está exatamente em demonstrar que tem algo a dizer, mas fica quietinho em seu canto; não se queixa de nada. Também é considerado como violência doméstica o abandono e a negligência quanto a criança, parceiros ou idosos.
As transgressões sexuais são outra forma de violência e acabam acarretando culpa, vergonha e medo na vítima e mesmo nos possíveis denunciantes. Mulheres preferem viver juntas a separadas de seus maridos. Neste caso há uma omissão por parte da mãe quanto à agressão. O abuso sexual é uma situação em que uma criança ou um adolescente é usado para gratificação sexual de adulto ou mesmo de um adolescente mais velho, o que pode incluir desde carícias, manipulação da genitália, mama ou ânus. Também pode ocorrer o “voijeurismo” , uma forma bastante comum de violência contra a criança.
Abuso sexual sem contato físico:
1 - Abuso sexual verbal. Conversas abertas sobre atividades sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou adolescente.
2 - Telefonemas obsenos. A maioria é feita por adultos, especialmente do sexo masculino, podendo gerar ansiedade na criança ou adolescente.
3 – Exibicionismo. A intenção, neste caso, é chocar a vítima. A experiência pode ser assustadora.
4 – Voyerismo. Observação de atos ou orgãos sexuais sem que a vítima perceba.
5 – Pornografia. É uma forma de abuso sexual da criança ou do adolescente, cujo objetivo, muitas vezes, é a obtenção de lucro financeiro. Crianças ou adolescentes de 3 a 17 anos são utilizados no papel de atores, atrizes ou modelos em vídeos, fotografias, gravações ou filmes obscenos.
A prostituição infantil tem sido uma forma de violência muito comum, envolvendo crianças de até 3 anos de idade. Ocasionalmente, pais que vivem em situações miseráveis vendem seus próprios filhos. A questão da prostituição infantil envolve, no Brasil, milhares de crianças e adolescentes vítimas de situação socioeconômica extremamente desigual. Neste caso, também é praticada a violência socioeconômica.
Frequentemente, a 1ª relação sexual de uma criança prostituta é com o próprio pai, aos 10, 11 ou 12 anos. Na maioria das vezes, o pai é o abusador. A criança sofre por maus tratos, carência de alimentação dentro de casa, fazendo com que a mesma se prostitua para levar alimentação para casa, muitas vezes influenciada pela família.
Muitas crianças e adolescentes são vítimas do tráfico de drogas e de armas ou levadas ao exterior, para exploração sexual, também por rede de pedofilia ou de prostituição internacional. Crianças ou adolescentes são mais vulneráveis a esse tipo de abuso; geralmente são de segmentos mais pobres ou os mais marginalizados de um grupo social e sofrem exclusão devido a questão étnicas, religiosas, políticas ou econômicas. Esse tráfico sexual acontece, muitas vezes, com a participação dos pais que tentam garantir a sobrevivência, utilizando-se da maldade ou falsas promessas.

1.1 A VIOLÊNCIA ATINGE A CLASSE ALTA E BAIXA

O Instituto Oswaldo Cruz apresenta pesquisas que vêm demonstrar os “mitos” sobre a violência no Brasil. Podemos atentar para o crescimento das grandes cidades que desenvolveram a violência com maior intensidade, quer seja doméstica ou extra doméstica. As agressões, em suas diversas formas, existem nas diversas camadas sociais.
Esse tipo de violência corrói a sociedade e destrói milhares de brasileiros, necessitando de uma política mais justa de distribuição de renda para satisfação das necessidades básicas da família. Entretanto, a violência doméstica não acontece somente nas camadas populares mais baixas. Encontra-se também nas mais afortunadas, ou seja, nos setores mais elitizados do nosso país e do mundo. Os métodos para solucionar estes problemas são diferentes: uma criança que sofre violência doméstica numa família de pessoas “ricas” ou de poder aquisitivo melhor é levada ao terapeuta, consulta-se psicólogo, enfim, procuram-se alternativas possíveis e viáveis para tratar deste grande problema, ou seja, uma família que possua recursos financeiros terá mais agilidade e rapidez na condução do problema.
Um lugar onde a criança deveria se sentir segura, em sua casa, acontece uma inversão de valores por parte dos seus pais, que na maioria das vezes, é o agressor ou agressora de seus próprios filhos. Segundo a Folha Universal de 29 março, de 2009, à página 16,

O nosso país ficou estarrecido com o caso da menina de 9 anos, no Recife (PE) que engravidou do padrasto, que a estuprava durante 3 anos. Estava grávida de gêmeos. De família pobre, a garota se submeteu a um procedimento que interrompeu uma gestação de 4 meses.

Uma criança que durante todo muito tempo sofreu esse tipo de violência realmente se sente acuada, com medo do padrasto que pode ameaçá-la. Felizmente a mãe acreditou na filha e como responsável pela menina, levou-a para abortar. É preciso lembrar que a violência sexual doméstica é um fenômeno que envolve medo, vergonha e culpa. Por isso mesmo é cercado pelo famoso complô do silêncio.
O professor precisa estar preparado e ter conhecimento das diversas manifestações de violência para ajudar seu aluno e encaminhá-lo ao órgão responsável para tratamento e acompanhamento. Cabe ao professor atitudes humanitárias para com seus alunos, tais como afeto, compaixão, zelo, discrição e amor para com ele e ajudá-lo a superar seus problemas escolares e seculares, na medida do possível, envolvendo-se nas questões que ele conhece e pode resolver, fortalecendo laços fraternos de amor de um para com o outro, na construção do saber e da consciência do outro.
É obrigação de o professor ter um olhar mais humanizado e mais presente ao seu aluno dentro da sala de aula, cuidando dele como se fosse seu filho, seu amigo, para que o mesmo se sinta seguro. Só assim ele poderá observar a mudança de comportamento de seus alunos e aos poucos adquirir sua confiança, para que os mesmos possam relatar o que está acontecendo com eles, ou seja, se estão sofrendo algum tipo de violência. Atualmente os professores alegam que ganham pouco, que estão estressados e isso os torna impacientes, muitas das vezes passando isso para os alunos, prejudicando-os em sua aprendizagem.
Mas o que é ser professor? É ensinar. E ensinar não é educar, não é passar conhecimentos e trocar ideias conjuntas de saberes? O aluno, o amigo e o professor sempre estão se educando no dia-a-dia, na troca de amabilidades, na troca de prazeres de estarem juntos, na troca da alegria no partilhar de dias felizes e tristes e a educação faz parte desse contexto que é a vida e educar é ensinar para um futuro melhor, resultando no processo de desenvolvimento, tornando uma pessoa crítica, contribuindo, assim, para o seu crescimento. Segundo Souza (1995, p. 02),

Muitas crianças que apresentam queixas de mau rendimento escolar encontram-se impedidas de um desempenho intelectual satisfatório. Devido a problemáticas emocionais, muitas vezes relacionados a conflitos familiares não explicitados.

E na elaboração desses conflitos familiares ou individuais podem propiciar a melhoria no rendimento escolar da criança que por sentir vergonha de expor sua situação diante dos colegas é prejudicada, não conseguindo desenvolver seu potencial.

1.2 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A FAMILIA

A violência faz parte do nosso dia-a-dia. Os jornais, a televisão, o rádio, a internet são meios de comunicação que velozmente nos trazem “notícias ruins”, sendo a maioria delas, de violência. Como esta reportagem do Bom Dia Rio, Jornal matutino local da Rede Globo de Televisão, veiculada no dia 17/07/2009 às 7h 15mim.
Dois policiais militares perseguiam um bandido que fugiu para dentro da escola e houve troca de tiros no pátio. Segundo testemunhas, por volta das dozes horas os policiais perseguiam um bandido que fugiu para dentro da escola que fica em Costa Barros. Na escola houve trocas de tiros e desesperos dos alunos nesse dia havia cerca de seiscentos alunos no pátio que participavam de uma festa julina. A policia militar negou que tenham atirado dentro do Ciep e afirmou que faz patrulhamento na área dia e noite, 24 horas.

Casos como esse, infelizmente, infiltraram-se nas nossas escolas, onde não há segurança. Que paramentos usar na escola? o que fazer diante de problemas tão graves dentro e fora da escola, que é um espaço socializado de conhecimento e regras comportamentais? A sociedade é uma noção ampla, de um conjunto maior de pessoas organizadas pelo direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, tanto de alunos como de funcionários e todo o corpo docente.
Todos os aspectos da vida na sociedade estão fundamentados no direito à vida. Mesmo os povos que não usam o direito, as leis, os códigos, são regulados, possuem uma hierarquia social. Hoje há muitas gangues dentro das escolas que amedrontam os próprios alunos e até os professores, que, muitas vezes, por se sentirem ameaçados, se afastam da escola.
Na sala de aula o individualismo impera. Os alunos só pensam em “se dar bem” e não pensam no coletivo. A indisciplina é a tônica na sala de aula. Os alunos estão cada vez mais embrutecidos, mais cínicos e mais desrespeitosos.
O abuso de poder econômico, aliado à certeza da impunidade, é ingrediente “explosivo” que incentiva os adolescentes a não colocarem freios nos seus desejos e a não pensarem nas consequências. Segundo Maldonado (1977, p.35).

Os comportamentos violentos nas ruas são muito reforçados. Jovens fazem parte de gangues. A necessidade de pertencer a um grupo, ser aceito e valorizado, ser admirado, sentir-se seguro e protegido pela estrutura do grupo são fatores que motivam a filiação tanto a grupos socialmente aceitáveis (como por exemplo, os escoteiros), quanto as gangues de grafiteiros ou às que incentivam condutas violentas e envolvimentos com o tráfico de droga e de armas.

A indisciplina e a violência na escola estão relacionadas ao desaparecimento de valores morais, tais como o respeito, a fraternidade, a amizade, a compreensão, a ética e o amor. Ter um carro, uma casa de praia, se relacionar com pessoas que estejam na mídia, ter um bom tênis são valores priorizados pelos jovens, de forma a compor sua imagem e personalidade perante os colegas. Vivemos um mundo de individualidades.
Falar de virtudes, generosidade, humildade, coragem, justiça soa como fora de moda, pertencente há outros tempos. A impressão é a de que tudo está reduzido à lógica do que se denomina neoliberalismo, para a qual a riqueza, ou ter riqueza parece virtude. Essa “glamorização” se dá em detrimento ou banalização dos valores morais públicos (justiça, honestidade, respeito público). Vivemos numa sociedade que incessantemente convida as pessoas a consumirem, sendo o tempo todo incentivado a perseguirem ideias em que o dinheiro, o poder, o sucesso e o prestígio não se separam.

1.3 FAMÍLIA E ESCOLA – INSTIUIÇÕES PARCEIRAS

Cabe à família a tarefa de estruturar o sujeito em sua identificação, individualização e autonomia. Isso vai acontecendo à medida que a criança vive o seu dia-a-dia inserido em um grupo de pessoas que lhe dá carinho, apresenta o funcionamento do mundo, oferece suporte material para suas necessidades, conta histórias, fala sobre coisas e fatos, conversa sobre o que sentem e pensam, ensina a arte da convivência Cada família tem seus hábitos, suas crenças, seus mitos e medos, sua ideologia e seus objetivos.
A forma de construir o cotidiano está relacionada a uma história que começa com os antepassados dos pais e se alonga no dia-a-dia com seus filhos. Dessa forma, a criança percorre um caminho que vai desde a mais completa fragilidade emocional e dependência absoluta de autonomia e indiferença, até a compreensão do mundo real e a possibilidade de reconhecer o mundo intenso.
À medida que as pessoas vão se envolvendo em família, vão reconhecendo e construindo sua história, criando uma nova forma de ser ou continuação da mesma. A família vai mudando para continuar sendo o pilar de sustentação de cada um e cumprir a sua função socializadora de construir. Ao mesmo tempo em que uma criança sabe que faz parte de determinada família por compartilhar o mesmo sobrenome, costume e ideologia, ela se individualiza por perceber-se diferente da mãe, do pai, da avó ou irmão em determinadas peculiaridades que caracterizam o seu ser e o seu papel na família.
A família é um grupo de pessoas que tem uma organização típica, normas, valores, formas de conduta e que compartilham uma série de coisas, fatos, afetividade e emoções, dando suporte umas às outras. Essas pessoas também lutam por diferenciar-se e serem reconhecidas como únicas. Orientam-se mutuamente no sentido de tornarem-se cidadãos e para exercerem seus direitos e seus deveres, tanto na esfera particular e doméstica, quanto na esfera pública.
Todo indivíduo, apesar de pertencer a uma família, tem sua própria história, suas lembranças, suas conquistas, assim como é único o contexto em que esses fatos se desenvolveram e continuam se desenvolvendo, apesar de olhares, leituras e significados diferentes. Segundo Gomes (1988, p.10).

A família é um núcleo, ou um grupo de pessoas, vivendo uma estrutura hierarquizada, que convive com uma proposta de ligação efetiva e duradoura, incluindo uma relação de cuidados entre os adultos e deles para as crianças e idosos que aparecem neste contexto.

Ao reconhecer as qualidades e os defeitos de cada elemento familiar que compõe o campo sócio-afetivo da família, a criança se diferencia caracteriaza-se e se organiza em seu contexto sócio-emocional e cultural. Seria o mesmo que dizer que, pouco a pouco, ela vai assumindo e simbolizando a sua existência mediante a sua própria rotina de vida, mediante a linguagem como organizadora e promotora de interlocução, mediante o desempenho de papéis e de modelos que lhe possibilitarão o amadurecimento e a capacidade de posicionar-se criticamente.
A família, como grupo social, tem seu corpo de normas, impondo deveres e atribuindo direitos aos seus membros. Exigindo de cada um, cooperação, solidariedade, sacrifício, compreensão, tolerância e amparo aos menores, aos idosos e àqueles que não podem trabalhar por algum problema de saúde. É óbvio que a socialização não ocorre somente no âmbito familiar.
A tarefa de construir valores e comportamentos era exclusivamente da família. Hoje, as crianças vão cedo para as creches, berçários e pré-escolas. A escola é uma instituição potencialmente socializadora. Ela abre um espaço para que os aprendizes construam novos conhecimentos, dividam seus universos pessoais, ampliem seus ângulos de visão. É emoção e razão que se fundem em busca de sabedoria.
A escola de hoje pretende desenvolver, no estudante, uma conduta própria que viabilize o conhecimento e não mais apenas acumulá-lo. A atitude dos profissionais da escola está pautada no conhecimento de onde encontrar as informações adequadas, para aquela comunidade, voltada a uma metodologia que deve transformar em aprendizagem as vastas experiências sociais. Existe, na sala de aula, uma relação de troca entre professor e aluno, onde quem ensina aprende e vice-versa. Não basta o professor desejar que o aluno aprenda. O aluno precisa desejar aprender, sentir prazer em apropriar-se de sua autonomia. É uma via de mão dupla. Aprendente e ensinante tem a responsabilidade compartilhada no ato de aprender. Com o que concorda SOUZA (1995, p. 2), que diz:

Muitas crianças que apresentam queixa de mau rendimento escolar encontram-se impedidas de um desempenho intelectual satisfatório devido a problemáticas emocionais, muitas vezes relacionadas a conflitos familiares não explicitados, e na elaboração desses conflitos (familiares ou individuais) propiciam a melhora no rendimento escolar.

O filho, quando se sente pressionado em seu próprio lar, não tendo espaço para diálogo com os pais, tende a se fechar, porque quando abre a boca para falar é recriminado. Isso pode prejudicar e muito o seu rendimento escolar, pois se sente reprimido. Tanto a escola quanto a família educa para que o sujeito, em posse de instrumentos sociais, possa ser educado e feliz. Para aprender, uma criança precisa estar em contato com suas possibilidades, com seus limites, reconhecer os próprios desejos e estar disponível para uma aventura; aventura essa de desvendar o mundo.


2 PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA CRIANÇA VÍTIMA


À escola de hoje cabe oferecer suporte e espaço adequado ao aprendente. Ao professor cabe ter a capacidade de observação e sensibilidade capaz de atentar aos problemas que afligem seus educandos, dando-lhes o suporte à sua superação e, quando necessário, encaminhando-os a profissionais suficientemente capacitados para ajudá-los.
O desempenho escolar da criança deve ser analisado considerando-se não apenas suas características pessoais, mas também seu ambiente familiar e seu comportamento no ambiente escolar. No âmbito da aprendizagem, a interação desses fatores pode contribuir tanto para o sucesso como para o fracasso. O baixo rendimento escolar deve ser atribuído não só às características individuais, mas também do contexto familiar, escolar e social.
A escola tem um papel fundamental no processo de desenvolvimento da criança em geral e da vítima de violência em particular. Isso porque precisa desenvolver nela sentimentos de otimismo e um relacionamento seguro e positivo com adultos e com seus colegas.
Muitas vezes a criança verbaliza seu drama. Quando sofre violência, tem muita dificuldade de entrosamento com os colegas, se acha a “pior da turma” devido ao baixo grau de autoestima, sente-se incapaz o tempo todo, nunca age positivamente, é imatura, fica sempre arredia, seu amor é inconstante e está sempre sobressaltada. Nas brincadeiras, se comporta de forma agressiva.
O professor, como especialista da educação, possui em suas mãos a ferramenta necessária para a construção e reconstrução dos alunos que sofrem de violência. Ele, com sua vivência didática, saberá integrar o aluno na sala de aula, proporcionando-lhe um ambiente propício para o exercício da cidadania.
O professor deve trabalhar as crianças que sofrem “violência”, respeitando a forma, a capacidade e a evolução de cada um respeitando suas limitações, ensinando ao grupo a se ajudar, tanto individualmente quanto coletivamente, usando uma metodologia e um processo de aprendizagem baseados no construtivismo, onde o aluno é o construtor de seu conhecimento, usando seus dons, talentos, habilidades e competências. Freire (1975, p.78) afirma que:

Toda prática educativa demanda a existência de sujeitos, um que ensinando aprende, outro que aprendendo, ensina, daí o cunho gnosiológico de objetos conteúdos a serem ensinados e aprendidos, evolve o uso de métodos, de técnicas, de matérias, implica em função de seu caráter diretivo, objetivo, sonhos, utopias e ideais.

Durante muito tempo o aprender foi visto como sinônimo de memorizar. Esta concepção de aprendizagem justificava a organização de uma escola cuja função primordial consistia no repasse do maior número de informações possíveis aos alunos. Acreditava-se que juntando as pequenas partes, os alunos seriam capazes de compreender o todo. Esta concepção de aprendizagem influenciou a educação durante séculos, criando uma pedagogia repetitiva e da “decoreba”, criando um caráter superficial na educação, baseando-se na repetição dos livros em detrimento de um saber crítico, avaliativo e consistente do aluno.
Frobel (1782-1852) era contra métodos mecânicos e padronizados de aprendizagem e até hoje são usados nas instituições pré-escolares. Sua proposta educacional baseava-se nas atividades que incluíam o jogo e atividades de operação entendidas como origens da atividade mental. Frobel partia também da intuição e da ideia de espontaneidade infantil, preconizando uma autoeducação pelo jogo, por suas vantagens morais, além de seu valor físico.
A obra de Montessori (1867-1952), como ela mesma proclamava, inscreve-se e está inserida numa pedagogia científica, que baseada numa formação pelas ciências da natureza explica, a concepção de que a educação deve inspirar-se na natureza e nas leis de desenvolvimento infantil, abolindo os hábitos tradicionais de uma educação tradicionalista. Maria Montessori enfatizou o aspecto biológico do crescimento e do desenvolvimento infantil, criou materiais adequados para a exploração sensorial das crianças, específicos a cada objetivo educacional.
Diminuiu o tamanho do mobiliário usado pelas crianças na pré-escola e criou também a diminuição dos brinquedos e objetos domésticos e cotidianos a serem usados para brincar. Efetuou, portanto, a naturalização dos brinquedos, adequando-os ao tamanho das crianças.
Segundo Montessori, a educação deve inspirar-se na natureza e nas leis de desenvolvimento infantil, à margem dos hábitos tradicionais, porque seu sistema fundamental é mais de desenvolvimento do que de adaptação. Para essa autora, a vida não é abstração e sim vitalidade (Nova Escola, 2009). Portanto, sua filosofia é vitalista; pressupõe que as crianças são corpos que crescem e almas que se desenvolvem, necessitando de uma vida potencial que as desenvolva e que as torne ativas e felizes. Além de ser médica, Montessori era também formada em pedagogia, psicologia e antropologia, tendo um grande conhecimento da alma humana.
O principio básico de seu sistema é liberdade, atividade e individualidade. A pedagogia Montessoriana requer um novo paradigma de educação, pois o educador deve observar e orientar as atividades psíquicas do seu crescimento biológico e psicológico. O professor deve estabelecer as atividades espontâneas na criança, contribuindo para que ela desenvolva sua autonomia, sua individualidade e passe a respeitar seus semelhantes.
A escola, Instituição Social delegada da família, deve estar comprometida com a promoção do desenvolvimento humano e com o atendimento das necessidades da sociedade. Assim, o seu processo de gestão de ensino deve ter uma visão global e uma ação local, visando a inserção contextualizada do aluno em todas as suas dimensões, no mundo moderno, de forma autônoma e participativa, numa nova tomada de consciência do professor em relação a ele mesmo e ao aluno, sendo necessário um olhar profundo e observador da maneira como o professor se comporta, transmitindo uma didática viva, contagiante, que modifique as pessoas que estejam ao redor.
A escola é uma instituição que possui o dom de “moldar” o caráter das pessoas porque ensina a criança, desde pequena, a se comportar como cidadã. Nela desenvolve conceitos fundamentais como respeito próprio, solidariedade, amor ao próximo, dignidade, lealdade e, principalmente, as noções de direitos e deveres. A escola, como espaço de socialização, exerce uma importante função através do diálogo, dando voz às pessoas para que elas dialoguem e expressem suas opiniões, suas vontades e seus anseios.
A educação transforma as pessoas porque preserva, em seu processo, a liberdade de opiniões e a gentileza em suas ações. Por isso é que ela não só transforma, como faz das pessoas seres melhores para si e para a sociedade, como poderá modificar os reprodutores de atitudes violentas, transformando sua agressividade em equilíbrio, pois uma pessoa equilibrada pensa, pondera, questiona e age com harmonia, tranquilidade e pacificidade.
O professor deve criar métodos de aprendizagem para motivar o aluno, voltados para o real interesse dos mesmos, tornando-os agentes do processo educacional, propondo atividades em jogos criativos como uma das saídas viáveis para uma maior integração entre as pessoas, contribuindo para o desenvolvimento da aprendizagem.
O brinquedo é um convite ao brincar e o brincar é a oportunidade mais harmoniosa e completa do desenvolvimento de que o ser humano dispõe. O brinquedo estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança. O brincar é um dom natural que, bem cultivado, contribuirá para a eficiência e o equilíbrio do adulto. O brinquedo traduz o real para a linguagem infantil, suavizando seu impacto e servindo de intermediário para que a criança consiga integrar-se, compreender e desenvolver suas potencialidades de maneira criativa.
Ao brincar com amigos a criança aprende a conviver, procurando regras e limites, aumentando sua resistência a frustrações. A integração lúdica, especialmente em jogos grupais, vão construindo a sociabilidade infantil, desenvolvendo a atenção e a concentração, pois leva a criança a absorver nos grupos as normas sociais e grupais para engajar-se na vida de sua comunidade de uma maneira saudável e criativa.
A criança brinca e joga para dominar angústias e controlar impulsos, assimilando emoções e sensações para tirar provas do eu, estabelecendo contatos sociais, compreendendo o meio, satisfazendo desejos, desenvolvendo habilidades, conhecimentos e criatividade. Isso quer dizer que quando jogamos, brincamos brincadeiras antigas ou tradicionais e ensinamos a outros, estamos reportando a nossos antepassados e nos ensinamentos que nos deram senso de continuidade, permanência e pertencimento.
Através da nossa história e de nossa cultura, a brincadeira e o jogo geram atividades que fazem pensar, onde as crianças aprendem a desenvolver o raciocínio, pois a atividade lúdica pressupõe ações, provocando a cooperação e a articulação, estimulando a representação de vários papéis desempenhados por eles mesmos. As interações entre crianças favorecem a superação do egocentrismo, desenvolvendo a solidariedade e a empatia no compartilhar.
O brincar e suas interações na escola possibilitam a aprendizagem cognitiva do aluno. Na brincadeira a criança interage com o outro, constrói sua identidade, desenvolvendo a cidadania, o respeito pelos colegas, aprende a esperar a vez, exercitando a convivência pacífica do repartir. As brincadeiras desenvolvem a criatividade das crianças, estimulando sua imaginação e o ludicismo. Brinquedos como escorrega, balanço e gangorra são brinquedos que fazem as interações, tão necessárias no dia-a-dia, no desenvolvimento físico, motor e cognitivo das crianças. Os brinquedos convidam as crianças a entrarem no mundo da fantasia e do faz de conta. Um brinquedo pedagógico interfere no desenvolvimento da criança, na sua autonomia e no seu conhecimento.

2.1 OS JOGOS NO PROCESSO DE CURA DA VIOLÊNCIA

Para Piaget (1979), os jogos dividem-se em jogos de exercícios, simbólico e de regras, além dos jogos de construção presentes ao longo do desenvolvimento. A finalidade dos jogos de exercícios é o próprio prazer do funcionamento. Os jogos simbólicos têm como função a compensação de desejos e a liquidação dos conflitos e expressam-se no “faz de conta” e na ficção. Os jogos de regras são aqueles cuja regularidade é imposta pelo grupo, resultado da organização coletiva das atividades lúdicas.
Nos jogos de cooperação e de grupo, as crianças brincam juntas porque já possuem objetivos comuns. O brincar e o brinquedo possibilitam a atividade mental, social, física, emocional e psíquica das crianças. Através da observação o educador compreende o que precisa trabalhar no seu aluno na sala de aula. A brincadeira é uma das maiores ferramentas de trabalho, pois a criança ao brincar está livre de qualquer receio, temores ou problemas, pois na brincadeira ela se solta e interage com seus colegas, voltando a ser “criança” novamente, mesmo que seja desfrutando de um breve período de alegria.
O brincar é muito importante nas relações sociais. A brincadeira produz amizade, camaradagem, compreensão, gentileza e outros sentimentos de socialização do ser humano. Sua prática promove o exercício frequente do amor e da fraternidade.
O educador precisa resgatar os alunos vítimas de violência. Aliada à brincadeira, a arte é um importante fator nesse resgate.
A arte trabalha a Geografia, a História, a agricultura, as formas, as cores, as texturas e a geometria. É através dela que o educador pode realizar um trabalho onde possa ensinar esses alunos a descobrir, a ter novos olhares e posturas de novos comportamentos, usando a sensibilidade, a gentileza, a compreensão e o amor na sala de aula.
O professor pode, por meio de seus atos e atitudes, transformar os alunos vítimas de violência, utilizando um olhar pedagógico e mágico, permitindo que a sala de aula se transforme em um ambiente acolhedor e prazeroso de estar e aprender. Aprendendo a escolher o que é necessário e a distinguir, diante das imagens que rodeiam o nosso dia-a-dia, o que pode ser útil ao ser e ao viver em paz.


CONCLUSÃO


É preciso que as pessoas não se omitam diante da violência doméstica, denunciando-a aos órgãos competentes para que os mesmos tomem as providências cabíveis. Cabe ao poder público contribuir para ajudar crianças e jovens vítimas de violência, elaborando programas de prevenção e combate à violência doméstica, criando canais públicos de denúncia.
A questão da violência não deve interessar apenas aos profissionais nela envolvidos (policiais, advogados, promotores de justiça e magistrados), mas também a todas as pessoas e, principalmente, aos educadores e à sociedade como um todo. É de grande urgência que a sociedade “desperte” para essa questão, pois o elevadíssimo grau de violência assola e esfacela a humanidade.
A violência banalizou-se entre nós. Podemos ver na educação a saída para a temática da violência humana. Sua proposta é formar crianças e jovens para serem construtores ativos da sociedade na qual vivem e exerce sua cidadania, independente da sua condição. É preciso que os educadores estejam preparados, obtendo maiores esclarecimentos sobre a violência doméstica, para que possam ajudar seu aluno, analisando o fracasso ou o sucesso escolar do mesmo, inclusive daquele que possivelmente sofra violência no ambiente familiar, considerando não apenas suas características pessoais, mas também o contexto familiar. Interagindo com os familiares, poderá promover a igualdade e a proteção à criança vítima de violência doméstica.


REFERÊNCIAS


ARROYO, M. G. Trabalho – Educação e Teoria Pedagógica. In: Gaudêncio Frigotto (org.) Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998, (Coleção estudos culturais em educação).
BRADEN, N. Autoestima e seus pilares. São Paulo: Saraiva, 2000.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasil, 1988.
______. Estatuto da Criança e do Adolescente, 1990.
DOLTO, F. Quando surge a criança. Campinas/SP: Papirus, 1996.
FERNADEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artmed. 1990.
FOLHA UNIVERSAL Rio de Janeiro: Arca universal, 29 de março de 2009..
FREIRE, Paulo. Fazer a escola conhecendo a vida. Campinas: São Paulo, 1995.
GOMES, H.S.R. Um estudo sobre o significado da família. Tese de Doutorado. PUC. São Paulo, 1988.
JORNAL EXTRA, Rio de Janeiro: Globo, 25 de maio de 2009.
MALDONADO. M.T Os construtores da paz Caminhos da prevenção da violência. São Paulo: Moderna. 1977.
NOVA ESCOLA, Edição especial n°41, Os grandes pensadores. São Paulo, editora abril, julho 2009.
PIAGET. J. A noção de tempo na criança. Rio de Janeiro: Record, 1979
SANTOMÉ. J. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed, 1988.
SOUZA, Audruz Setton Lopes. Pensando a inspiração intelectual: perspectiva-psicanalítica e proposta diagnóstica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.
TV GLOBO. Bom dia Rio, 17/07/09 07h15min da manhã.

Trabalho de conclusão de curso de Pedagogia, apresentado por Rosane Areas à FACNEC - Faculdade Cenecista de Itaboraí