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sábado, 3 de julho de 2010

PSICOMOTRICIDADE: AFETIVIDADE E EMOÇÃO



           A criança ao nascer sai de um ambiente protegido, para viver em outro que nestes primeiros dias lhe é hostil. Frio, alimentar-se por si mesma, são fatos novos em sua breve vida. Na vida intra-uterina o corpo de mãe, e o dela (criança) vive em perfeita simbiose, alimento só o que vinha via cordão umbilical, frio, jamais era por ela sentido, pois a temperatura no útero de sua mãe era exatamente adequada as suas condições de vida.
           Ao perder está simbiose, vem à necessidade de um olhar, um toque, uma carícia, em seus primeiros anos de vida esta relação será de vital importância para suas aquisições intelectuais, psíquicas, e sócio afetivo. O viver com sua mãe, com seus familiares será de grande importância para um crescimento em equilíbrio. Todos nós em nossos primeiros anos de vida tivemos estas necessidades, os nossos processos afetivo-emocionais com toda certeza tem no afeto materno-familiar sua base de sustentação.
           Uma criança que cresça em um ambiente de afetividade, correção, e acima de tudo justiça, terá melhores condições de ser equilibrada emocionalmente em sua vida adulta. Segundo as informações de Teresa Cristina Serra Damiano Borghi, divulgada no site da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, a Psicomotricidade é de vital importância para não somente a infância, mas, também na velhice acrescentar melhor qualidade de vida.

Hoje tem uma nova cara, pois passou a ter importância à qualidade de sua vida quando se está na velhice, não só no aspecto financeiro, mas também a preservação de seus potenciais cognitivos, competência social e mobilidade motora compreendendo que estes fatores influenciam sua saúde.

           O estilo de vida da pós-modernidade, com suas necessidades, e uma busca incessante por melhores condições econômicas, tem colocado as gerações do pós- modernismo em uma situação de ‘necessidades extremas’, isto tudo posto, vemos florescer hábitos e costumes que antes eram ignorados e rejeitados. A afetividade familiar, um modo de vida com mais movimentos, mais atividades físicas foram colocados de lado. As crianças que antigamente brincavam de rodinha, de queimado, pique esconde dentre outras brincadeiras que exigiam movimento, mais atividade física foram colocados de lado por telas de um vídeo game, internet e jogos de computador, que deixam seus jogadores inertes sem o menor movimento, além de consumo de calorias que não serão gastas.
           Está situação onde o ser está interagindo de forma impessoal, sem o menor contato, sem esforço, tirou de nossos jovens a chance de conviver com as diferenças, com situações de perda, e acima de tudo de aceitar estas perdas. São inegáveis as facilidades trazidas com a computação, com os apetrechos modernos, que facilitam e muito a nossa vida, e as relações humanas, só há de se ressaltar os danos da não preparação para tal advento, e os efeitos negativos sanados. Vemos hoje que, esta geração (entre 10 e 25 anos) está reagindo de forma bem atípica as carências trazidas por tais tecnologias, mesmo as situações que envolviam o bulling, antigamente eram resolvidas de uma forma mais equilibrada que hoje, o contato pessoa a pessoa ajudava a se dissipar qualquer eventual retaliação violenta. Segundo os profissionais da saúde, dentre vários fatores para uma boa saúde mental está o respeito, o cuidado por si mesmo, pelos outros e pelo planeta, além de ter doses elevadas de amor pela natureza (incluindo aqui os animais e a vegetação).
           O cuidar é um ato consciente, aprendido no dia a dia e no convívio junto com outras pessoas com a mesma finalidade, e nestes atos estão os principais geradores de prazer e contentamento que o mundo conhece; portanto, a forma de educar, de conviver e viver influencia de forma direta, total e definitiva o sujeito. O que vemos com a mudança no seio das famílias, o isolamento proporcionado pela tecnologia, à falta de limites e valores entre os jovens, é que a sociedade está convivendo com situações claras de falta de afetividade, de carinho e de amor. Segundo Érica Gomes Pontes, a internet propiciou uma ligação imediata entre inúmeros sujeitos, no entanto, as relações que ali se estabeleceram são fictícias, um engodo para os que se utilizam dela, pois continuam em grande isolamento, em uma individualidade perigosa. E reitera afirmando que no dia a dia esquecemo-nos do prazer existente no toque.
           As questões psicomotoras estão intrinsecamente relacionadas à afetividade do sujeito, um ser que em sua infância tenha tido em sua criação o carinho, a afetividade de entes queridos, crescerá sabendo de sua importância como ser humano que é de suas responsabilidades como ser social, e que vive em uma sociedade, se portara com respeito aos seres viventes, as várias formas de vida existentes, e principalmente ao ser humano como seu igual. Segundo Amanda Cabral Goretti a “relação entre o homem e o seu corpo, considera não só aspectos psicomotores, mas os aspectos cognitivos e sócio-afetivos que constituem o sujeito”.
           É neste ponto em que quero fazer um breve comentário sobre o trágico desfecho do caso Eloá, observando as situações descritas pelos órgãos de imprensa no decorrer, e no pós sequestro. Vimos ao longo do caso à inabilidade do sequestrador – cabe aqui comentar que no Brasil ainda é muito comum casos, apesar de já estar bem reduzido, de crimes passionais, por ciúme, ou traição – que não se conformando com a separação de sua namorada Eloá, ameaço-a por muitas vezes devido ao fim do namoro, culminando com todo o desfecho já de todos conhecidos pelas reportagens jornalísticas.
           Nesta situação fica bem evidente a falta de um lar onde, a questão certa errado estivesse bem clara, e trabalhadas. Também a afetividade foi pobre, pois, demonstrou este jovem ter sérios distúrbios evidenciados com a perda. “Psicomotricidade é uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem, através do seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo” (GORETTI, CEPAGIA – Centro de Estudo Pesquisa e Atendimento Global da Infância e Adolescência). Portanto, neste caso, como em tantos outros de nossos dias, vemos a falta do toque, do contato, e da afetividade influenciando de forma efetiva o comportamento do sujeito, de suas ações, e enrijecendo o ser ao ponto de torná-lo capaz de atitudes até aquele momento inconcebíveis, e impensáveis. É com estas relações, que todos nós nos tornamos mais humanos, aprendendo a conviver com as situações de perda, mas, para que estas ocorram é preciso se estabelecer os limites adequados ao desenvolvimento de uma personalidade emocionalmente equilibrada.
           Juntando tais fatos às carências de nossas salas de aula, teremos que, de forma específica e intransigente as nossas escolas e suas salas de aula, e de forma mais abrangente o nosso sistema de educação não tem fornecido meios, e menos ainda métodos que levem o sistema educacional brasileiro a suprir as carências das nossas famílias, ‘salvando’ nossos jovens da rigidez corporal, tirando-os de situações onde muitos ficam tempo demais parados, seus corpos inertes clamam por socorro, deixando suas mentes expostas ao descalábrio infame da violência.
           No caso específico de Eloá, temos vários fatos relacionados à área psicológica, mas, o que nos interessa neste momento é claramente o fato do desequilíbrio do sequestrador. Isto ocorre devido a uma série de fatores psicossomáticos, e patogênicos. Lares onde a criança tem bom convívio têm limites bem definidos, vive em harmonia com os componentes de sua família, e têm de todos, respeito, e acima de tudo é querida, crescerá de forma equilibrada, e com toda certeza demonstrará este equilíbrio no seu dia a dia, em suas relações sociais, e intimas, aceitará os bons valores sociais e a eles aderirá com empenho, buscará o seu bem estar, métodos de vida saudáveis. A sociedade ocidental deve refletir bem seu modo de vida, pessoal e em sociedade, para que tais eventos ao menos diminuam.
           A Psicomotricidade tem postulado o seu potencial educador e corretor, não só para a fase da infância, mas também para os adultos e para a terceira idade. Vemos nestes dias onde a micro informática dominou todas as áreas de trabalho e relacionamentos humanos, tornando tudo mais rápido, e impessoal. Estas carências de ‘contato’, de olhar nos olhos um do outro, de tocar as mãos de quem amamos, ou somos amigos tem afetado o comportamento, as atitudes de cada um de nós. E neste contexto, atitudes extremas como estas de Santo André, têm-se multiplicado de forma assustadora. Estamos com nossos corpos enrijecidos de tal forma que mesmo pessoas que antes tinham atividades baseadas no movimento, hoje estão presas á salas fechadas, e não somente as salas e tão fechadas, o Eu interior se fechou, se proibiu vivenciar experiências corporais. A frase de Érica Gomes Pontes resume bem tudo o que é a Psicomotricidade, e tudo o que pode ser para todos nos dias atuais, “é tempo de redescobrir um corpo de possibilidades e abandonar limites impostos por tabus e ideologias que nada mais acrescentam, além de sintomas, dor e sofrimento psíquico”.  
           É exatamente o que vemos nestes dias acontecer, pessoas criadas de forma ‘reprodutora’, e não de uma forma construtiva, seres humanos ‘acabados’ e ‘construídos’ fora de tempo, mal finalizados em seu potencial de realizações, sem o devido diálogo, e carinhos necessários a sua sobrevivência, incapazes de discernir entre realidade e o não real, de pensar na felicidade alheia, e de si mesmo. Mal resolvemos grandes tabus do passado recente, e já criamos outros maiores. Que possamos refletir com seriedade, e sinceridade sobre os fatos educacionais e sociais de nossos dias, e vermos que somos seres humanos, temos de buscar preservar o nosso lar, o planeta terra e sua diversidade, mas, principalmente vermos a necessidade de preservação de nossos jovens, como gerações do futuro, equacionando de forma satisfatória seus dilemas, tornando-os capazes de decisões corretas, mesmo diante de fatos como este da cidade paulista, em que a vida foi o que menos teve importância, quando deveria ser preservada de forma intransigente.
           Esta situação paradoxal da nossa sociedade tem de ser resolvido o mais breve possível. Como educadores devemos ver a Psicomotricidade como excelente ferramenta para auxiliar-nos nos processos de ensino aprendizagem, de transformação de paradigmas existentes, de reeducação corpórea, levando o ser a redescobrir seu corpo, consequentemente o Eu interior suprimido no dia a dia, nas relações da modernidade; promovendo o retorno aos processos valorosos do abraço, do beijo, do toque, da carícia, enfim, da libertação do aparente, do imposto para ser aceito. Nossos corpos gritam. Nossos corpos gritam por socorro, quando é que paramos para ouvir e aceitar seus clamores? Ouçamos estes gritos, e acima de tudo, que possamos ser portadores de audição suficiente para ouvirmos nosso corpo e o de nossos semelhantes.
           A construção social, já nos primórdios da humanidade, sempre foi à base de cooperação mútua entre os seus integrantes, do auxílio, mesmo que em momentos específicos os interesses pessoais fossem mais em consideração, às atividades onde a cooperação era necessária já estavam bem definidas.
           Estas formas de atuação mantiveram o tecido social. E a está época também já tinham avançado muito as relações familiares, onde a afetividade por suas ‘crias’, os cuidados, começavam a construir estes laços que tanta importância tem na vida de cada um ser humano, sem o carinho de uma mãe, sem a justiça e comportamento definido de um pai presente, a criança não difere de um animalzinho, a não ser por sua inteligência e aptidões técnicas, são os laços familiares, o seu ambiente sadio, ou não, que definiram a estrutura sócio - emocional do ser em construção, passando depois de adulto a ser agregador, ou desagregador social. Nestas situações estão com toda certeza envolvidas as questões motoras e psicomotoras de cada um.
           Vemos estes fatos no construto social de hoje, onde o indivíduo sofre grandes pressões, ora da sociedade, ora de cunho afetivo, moldando sua personalidade, construindo um ser que em sua natureza mais remota é ‘inacabado’, vindo deste fato tão simples a necessidade de aperfeiçoamento, daí a mudança que tanto nos fez crescer como seres inteligentes. Hoje erroneamente este ser inacabado, foi obrigado a se tornar “acabado”, aperfeiçoado, em suma, o oposto do ser humano anterior, que era obrigado a transformar para sobreviver.
           Isto no campo da convivência em sociedade, já para o campo afetivo, as condições atuais são avassaladoras. Uma educadora ao falar das atividades Psicomotoras, e mais especificamente, do toque, falava com tamanha ênfase que seduzia, fazia com que todos os que a ouviam sentissem uma vontade latente de mudar o seu curso de vida, isto é a atitude psicomotora, mudança de hábitos errados, de uma vida onde só nos resta seguir nos passos dos que nos antecederam, e fazermos com que venham depois sejam iguais.
O QUE É A PSICOMOTRICIDADE
           Em termos epistemológicos, a Psicomotricidade não encerra só a história dos conceitos do exercício físico, da motricidade e do corpo, convocados para restaurar uma “ordem psíquica perturbada” ou facilitar o “funcionamento do espírito”, mas também, o estudo causal e a análise de condições de adaptação e de aprendizagem que tornam possível o comportamento humano.
            Para uma definição simples, no entanto, não sintética, podemos afirmar que a Psicomotricidade é uma ciência que se ocupa do ser total, mente e corpo. Representando uma importância cada vez maior no desenvolvimento global do individuo em todas suas fases, principalmente por estar articulada com outros campos do conhecimento, como: a Neurologia, Psicologia e Pedagogia, vindas daí sua grande importância para todos os educadores. Isso acontece porque a Psicomotricidade, se preocupando com a relação entre o homem e o seu corpo, considera não só aspectos Psicomotores, mas os aspectos cognitivos e sócio-afetivos que constituem o sujeito. Está importância advêm do fato de estudar o homem e seu corpo em movimento, e suas relações com seu mundo interno e externo.
              Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização


A IMPORTÂNCIA DA PERCEPÇÃO DO PROFESSOR


            O educador dentro da sala de aula deve ter meios, e métodos capazes de observar, apurar, e acima de tudo dirimir situações que propiciem um ensino aprendizagem capaz de educar/ensinar, portanto transcende a lousa, vai muito além das salas de aula, deve transformar. Para muitos transformar pode parecer pretensão, ou até mesmo não ser de sua responsabilidade, o que não é verdade. Temos que olhar para a maioria de nossos educandos de forma afetiva e ‘compromissada’ com sua busca. Para ilustrar com exemplos com exemplos, citaremos o fato de um aluno que jamais se saiu bem com as ciências exatas (física e matemática), quando o professor de física se propõe a auxiliá-lo, dá mais explicações, fornece livros, enfim, vê o seu caso, dá atenção e interessa-se em ajudá-lo, este aluno naquele ano não foi o melhor da turma, não obteve notas dez em todos os bi mestres, mas quando terminou o terceiro já possuía notas suficientes para encerrar o ano nesta matéria (7,0 – 8,0 – 6,5), o que dividindo por quatro já lhe garantiriam no mínimo uma nota cinco, o que era exigido para ser aprovado naquele colégio.
              É neste fato que se encerra a arte educativa, temos de ver o mundo do educando, seus pedidos de socorro, de atenção, todos somos inteligentes o suficiente para buscas, e aquisições, somos capazes de aprender. E neste contexto temos esquecido de que nossos corpos, nossa mente não têm recebido a devida atenção e cuidado. E neste quadro sócio educacional em que vivemos preocupados com os meios, nos esquecemos dos fatos do nosso dia a dia, com nossos alunos, de suas angústias e realidades. Portanto, temos e devemos encurtar as distâncias entre as aquisições educacionais e a realidade vivida por nossas crianças.
              Amor, afeto, Psicomotricidade. Não são em sua etimologia sinônimos, mas em um olhar psicomotor, e do ponto de vista do psicomotricista estão intimamente ligadas, e é delas que embasará a sua atuação e práticas psicomotoras. Trabalhará a afetividade, o amor por cada descoberta feita em seu dia a dia, portanto, afetará e será afetado por seu próprio trabalho. Que possamos em nossas práticas educativas trabalhar a afetividade, o amor, e o carinho pela arte de sermos educadores e educadoras, sem nos permitir esquecer-se do principal ator neste teatro, o educando, suas necessidades e suas buscas.
              O ato educativo não pode, e não se encerra pura e simplesmente nas atividades e no currículo escolar. Quando falamos em educação, temos obrigatoriamente de pensar em seres inacabados, que se renovam dia após dia, constroem e desconstroem, para logo em seguida construírem tudo novamente. Na matriz cognitiva de cada ser existe o dar e receber afeto, e neste fato está constituído o maior diferenciador do ser humano, a afetividade.
              A Psicomotricidade envolve um grande esforço, pois devido ao fato de estar interligada aos processos cognitivos, deveria envolver família, professores e as escolas, para tornar estas questões que em nosso país tem nos envolvido de uma forma avassaladora, famílias sem as referências familiares devidas, pais separados, ou a pior face desta situação que existe por aqui há tanto tempo, o aumento das crianças abandonadas, ou de rua. Nestas décadas que envolveram a solidificação do “new capitalism”, da implantação da globalização, o modo de vida teve mudanças reais, e significativas, e a família teve de se adequar a um novo padrão de valores, e vida. Já na década seguinte ao fim da segunda guerra, com o mundo vivendo sobre a pressão de economias esfaceladas, as questões capitalistas se sobrepõem a qualquer necessidade da vida, ou pior ainda, se sobrepôs á própria família, era o início dos problemas hoje tão evidentes. Para a área da Psicomotricidade era a busca de uma afirmação que ainda estava fundida a psicologia.
              Começa-se a ver que as questões motoras estão ligadas as dificuldades do ensino aprendizagem, o que para alguns teóricos antigos ainda estava claro, devido a está fusão com a Psicologia, que a partir deste momento começa a ser dissolvida, e busca-se um caminho próprio.
              Começa a busca da sua potencialidade na educação. O professor Eugênio Cunha em seu livro Afeto e Aprendizagem – Relação de Amorosidade e Saber na Prática Pedagógica faz exatamente está afirmação, quando relaciona as situações em que falta de afetividade e amor, prejudicam a função educativa, dificultando a tarefa docente. Cabe ressaltar também, o fato das questões aonde este processo já vem da família. Crianças, ou idosos vivendo sem o menor apreço necessário para justificar o querer bem, o interessar-se por uma vida melhor. Portanto, afeto e amor são como verdadeiros ‘fixadores’ do saber, da capacidade cognitiva.
              Em uma classe do projeto de Erradicação do Trabalho Infantil, projeto vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, observamos como as questões afetivas, e sócio afetivas impossibilitam o ensino- aprendizagem. Ao ingressar neste projeto foram logo feitas várias observações a respeito de cada comportamento, de cada dificuldade, de cada situação familiar ali envolvida. E, ao tirar algumas conclusões, pudemos ver que aquelas famílias mais presentes, mais interessadas na vida do filho (a), proporcionavam exatamente o oposto, eram crianças com bom equilíbrio, com autoestima elevada, e com melhores perspectivas de futuro que aquelas que não tinham esta realidade vivida em suas famílias. Para estas crianças até mesmo coisas simples como jogar peteca, movimentos que precisam ter mudanças repentinas de direção para a esquerda, e para a direita, são extremamente difíceis, fazendo com que tais exercícios logo diminuam o seu interesse, tornando as brincadeiras menos atrativas, levando-as a desistência.
              Em determinado momento, introduzimos algumas atividades Psicomotoras de reconhecimento de partes do corpo, e movimentos dirigidos de acordo com cada membro do corpo da criança. Estes movimentos foram elaborados de acordo com pesquisas feitas através de livros e da internet, buscando proporcionar para cada criança um mínimo de coordenação motora. E neste momento ficaram bem evidentes as dificuldades de cada criança, sendo a partir deste momento em que introduzimos não só as atividades Psicomotoras, mas também atividades de afirmação, onde o principal objetivo era elevar a auto-estima de cada educando.
              Neste momento todos foram colocados em um mesmo patamar, e as atividades propostas incluíam todas as crianças, a finalidade da inclusão de todos nesta primeira etapa era situar com bastante certeza quem, e de que forma o trabalho individualizado se daria. Cabe ainda lembrar-se das dificuldades relativas aos principais pontos de atividades motoras, onde todos foram muito mal, mesmo aqueles que não passavam por problemas afetivos.
              Exercícios simples de esquerda e direita foram colocados como atividade de trabalho. Neste momento ficou bem claro que os problemas com grande parte da turma seriam maiores do que se imaginava no início. Mas, seria necessário devido ao fato de nem todos estarem com as mesmas necessidades.
              Desta forma, com todos os casos individualizados, e identificados, percebe-se que grande parte era advinda de fatos sócio-afetivo-emocionais. Ao se deparar com tais fatos, foi percebido que a interligação entre as questões que envolvem as deficiências psicomotoras, e de aprendizagem estão bem próximas umas das outras, se não interligadas.
              E fato é que está interligação não facilita a tarefa docente em nada, pois com sérias deficiências em sua formação de base, o professor (a), não conta com uma formação ampla que lhe dê uma visão geral de tais assuntos. Não tendo o domínio da situação, fica exposto a questões que envolvem desagregação social, e familiar. Neste contexto não consegue cumprir os objetivos da educação, e se expõe em um quadro de violência e indisciplina de seus alunos.
              Nesta turma do projeto de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), vez por outra, tivemos de abdicar de atividades já propostas para o trabalho, para adotarmos hora um posicionamento mais afetivo, hora mais severo com a turma. Para ilustrar bem o que queremos dizer aqui, citaremos uma atividade proposta para o encerramento das atividades com a turma, quando teriam de fazer uma apresentação coreográfica. Ao preparar-se para o inicio da apresentação, uma das meninas afirma o seguinte: “professor se nos vaiarem iremos sair do palco”. Com o que até mesmo d forma severa, o professor não concorda, e afirma para todos que eles não estavam ali como simples alunos, mas como artistas, e se fossem vaiados, deveriam agradecer da mesma forma, pois ambas, vaias e aplausos, fazem parte de qualquer apresentação, naquele momento seus corpos, até aquele momento rígido, se soltaram, fizeram uma ótima apresentação, para logo em seguida receberem inúmeros aplausos.
              A tarefa docente hoje tem por obrigação, se municiar de todos os meios possíveis para ser exercida, correndo o risco de ao não se preparar, inviabilizar sua função precípua, educar, e formar cidadãos.
              Como no caso daqueles alunos com seus corpos rígidos pelo medo, vemos educandos enrijecidos por uma família desagregada, por uma sociedade que exclui que marginaliza. Segundo Le Bouche as dificuldades Psicomotoras acarretam em déficit instrumental predominantemente, podendo acarretar em problemas de comportamento e relacionamento. Quantos casos vemos relacionados a estas afirmações, quantos jovens hoje sucumbiram a este déficit instrumental e a estas dificuldades Psicomotoras.
              Foi exatamente desta forma com que tivemos de trabalhar com as crianças do programa. Uma relação com elas necessariamente teria de envolver atitudes de disciplina comportamental, de postura, tendo que atuar de forma decisiva com todos os problemas que os envolvia. Para exemplificar claramente este fato vamos citar as condições que encontramos, especificamente em relação a uma menina e sua irmã, que obviamente seu nome real será omitido, para este exemplo só a chamaremos de “L”.
              Ao chegarmos ao projeto, nos deparamos com esta criança e os problemas que a cercavam. Para não nos atermos aos fatos vindos de sua família, que não é nossa intenção, só se faz necessária a descrição, pois são os motivadores de seus problemas. Sua mãe é alcoólatra, separada, sendo que seu pai nem mesmo a conhece, seu irmão é envolvido com assaltos e traficantes, espanca a sua mãe, e já estuprou a irmã mais velha. Quando começamos o trabalho com esta turma, buscamos informações com a educadora anterior. No entanto, ao conhecer cada criança, e adolescentes integrantes daquela turma, começamos a focar nossa atenção nos casos de maior gravidade. E o caso de “L”, se mostrou de maior urgência e atenção, devido aos fatos geradores dos transtornos por ela vividos.
              Desenvolvemos um esboço das atitudes a serem trabalhadas com “L”. Dentro das ações, e práticas em sala de aula, acrescentando a afetividade, e a Psicomotricidade, somente tendo a certeza de que o tempo não seria o suficiente para o seu caso. No que ao final das atividades do trabalho no PETI, mostraram uma grande surpresa: “L”, já estava reagindo de forma muito adequada. Para tão pouco tempo de trabalho, sem ter condições de trabalhar seu caso com mais tempo, e especificidade.
              Sua irmã, que chamaremos de “A”, já ofereceu uma resistência maior às mesmas atitudes e trabalhos Psicomotores e afetivos, sua resposta foi mais lenta, e em vários momentos dando a noção que não surtiria um efeito prático desejável.
              Com toda certeza em ambos os casos, tanto o caso Eloá, com um desfecho de violência brutal, como no caso de “L e A”, temos as questões de uma baixa coordenação Psicomotora, e afetividade quase inexistentes. As questões onde se faz necessária uma reeducação Psicomotora, estão bem expressas nos dois casos. Em um, o caso Eloá, o individuo cresce em um ambiente sem limites, sem afeto, enfim, não tem a devida percepção de que na vida amar implica viver e deixar viver, que só se ganha depois de muitas perdas.
              Quanto mais tarde forem verificadas tais situações, mais difícil de ser resolvida será. Fazendo uma crítica dura, mas com toda certeza real, a sociedade brasileira está vivendo o rudimento, já abandonado em sociedades que aderiram as correções Psicomotoras. Em épocas passadas, o ser estava separado de seu corpo de tal forma que não era possível pensar o Sr como o centro das atenções, era a religião, e os clérigos quem sabiam o que era certo ou errado para cada individuo.
              Vós sois templos do espírito santo de Deus. Se tomássemos está afirmação Bíblica, com toda certeza este ser já teria sido liberto muito tempo antes. É com esta visão que devemos ver a Psicomotricidade. Libertadora, que rompe todas as amarras, conforme o texto bíblico citado, em outra parte afirma que “vós sois livres”.
              Partindo deste ponto, em que a Psicomotricidade é libertadora do ser, devemos buscar a liberdade de nossos corpos, do nosso Eu. A nossa sociedade está carente de educadores, e educadoras capazes de buscar, e depois proporcionar aos seus educandos esta liberdade que as atividades Psicomotoras efetivam.
              Juntando em um mesmo eixo de sua prática docente, por um lado afetividade, e em outro as atividades Psicomotoras, o educador com toda certeza estará conduzindo seus alunos à condição de equilíbrio necessária para sua construção cognoscente. Dando-lhe as condições adequadas para fazer por si mesmo, e acima de tudo, ser responsável por tudo que fizer.
              A tragédia de sobreveio àquelas famílias de santo André, com toda certeza se tivessem sido olhadas com afeto, correção, e equilíbrio que tal comportamento exige, teria tido outro desfecho.
              É neste lado da vida, do ser em desequilíbrio, que a Psicomotricidade pode dar uma grande contribuição para sanar problemas na vida da criança, do jovem e de todas as pessoas que em sua infância sofreram um processo de baixa estima, falta de afeto, e teve a parte motora corporal pouco, ou não trabalhada. Atuando de forma decisiva para uma real mudança de postura em relação ao Eu, e ao outro. Auxiliando a família, e, principalmente, os docentes. Ao trabalhar as funções motoras, afetivas e cognitivas, contribuirá para uma mudança de ‘postura’ do ser com o meio onde está inserido.
              A Psicomotricidade tem todas as condições de se tornar em pouco tempo, uma das principais ferramentas em mãos docentes que visem à mudança através do ensino aprendizagem, que busquem não só ensinar, mas transformar através do ensino. Como uma ciência transformadora que é a Psicomotricidade, tem por base de estudo o ser total, como vive, de que forma vive, como se relaciona, aprende e vê o mundo. Seu corpo em movimento é à base de todos os estudos, mas não só, pois ao se interessar por coisas abstratas como o amor, passa a trabalhar com algo mais difícil de ser estudado, e mensurado, pois se trata de um sentimento importante na vida de todos nós, mas não há como estudá-lo, nem prever suas conseqüências, favoráveis ou desfavoráveis.
              Neste primeiro momento, a Psicomotricidade está voltada para as atitudes preventivas, trabalhando um pouco mais com a infância, mas em breve veremos os avanços que esta ‘atividade libertadora’ do ser proporcionará, e sentir-se-á a sua importância para o ser humano em todas as idades e fases da vida.
              A Psicomotricidade vem como ferramenta auxiliar para pediatras, professores de educação física, geriatras, fonoaudiólogos, psicólogos, dentre muitas outras áreas que com toda certeza se beneficiariam de seus métodos. Mas, é com a pedagogia que seus efeitos são mais visíveis, pois ao trabalhar com os problemas de aprendizagem, do comportamento, e das funções cognitivas, efetiva um progresso tão visível, que torna a tarefa educativa mais fácil, agradável e prazerosa, tanto para o educando, quanto para os envolvidos no ensino da criança.
              Segundo o que foi dito por Heráclito, filosofo grego, “tudo caminha, tudo flui, nada está imóvel”. A vida em curso irreversível, jamais retornará ao mesmo ponto de partida, portanto temos de construir bases sólidas, para no futuro termos a sustentação de que precisaremos em nossa vida. Mas a reeducação psicomotora é a única que terá reais condições de reeducar, de erguer e construir as bases frágeis, ou mesmo dar uma sustentação aqueles que não a possuem. E, é nesta capacidade da Psicomotricidade, que a sociedade hoje terá uma esperança de reconstruir as bases familiares e sociais fragilizadas. Dando ao individuo o sentido da vida, que foi perdido por uma educação familiar e escolar ineficientes. Capacitando o ser a ter novamente afeto, capacidade cognitiva, e uma socialização sem as deficiências e carências vista em nossos dias, onde o bem maior, a vida, seja respeitada em sua totalidade. Abandonando as atitudes violentas, os desequilíbrios do corpo e da mente.
              E ao reconstruir a capacidade, e elasticidade de um corpo em inércia, dar qualidade de vida. Em seu livro “Afeto e Aprendizagem, Relação de Morosidade e Saber na Prática Pedagógica”, o autor Eugênio Cunha afirma o seguinte:

Hoje se vive à sombra do que é imposto como sucesso e fracasso, como uma tênue linha onde pode tanto embriagar-se com a ilusão de uma falsa auto-estima que se desfaz no primeiro contra tempo – ou torturar-se com a crueza de uma baixa auto-estima que aprisiona. (CUNHA, p.19)

              Então para ambos os casos, qualidade de vida, educação, e plasticidade corpórea, nos dias vividos na modernidade, são de pouco valor na vida afetiva, emocional e educacional devido ao isolamento dos indivíduos e de suas relações, e se para o individuo adulto é difícil, imaginemos o que se passa no mundo de nossas crianças e adolescentes, com toda certeza teremos gerações com sérias dificuldades relacionais e afetivas.
              Se em todas as religiões o ser humano é a criatura mais importante. Se a filosofia postula a humanidade à soberania em todo o universo. Se, somos a imagem e semelhança do criador para cristãos, judeus e muçulmanos, que em suas escrituras alegam que os nossos corpos são o templo do espírito de Deus, então cuidemos deste “templo” com todo o esmero que for possível, proporcionando saúde, conforto, e acima de tudo uma educação corporal capaz de equilibrar o ser total que somos. 

PALAVRAS CHAVE – Afeto, afetividade, Psicomotricidade e aprendizagem
   
 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Vínculo Afetivo na Relação Ensino Aprendizagem

- O que é aprender?
- Aprender é... Como quando papai me ensinou a andar de bicicleta. Eu queria muito andar de bicicleta. Então... Papai me deu uma bici... Menor do que a dele. Me ajudou a subir. A bici sozinha cai, tem que segurar andando...
- Dá um pouco de medo, mas papai segura a bici. Ele não subiu na sua bicicleta grande e disse “assim se anda de bici”... Não, ele ficou correndo ao meu lado sempre segurando a bici... Muitos dias e, de repente, sem que eu me desse conta disso, soltou a bici e seguiu correndo ao meu lado. Então eu disse: Ah! Aprendi!
... - Ah! Aprender é quase tão lindo quanto brincar
(Fernandez, 2001 O Saber em jogo)
Este texto tem um encanto simples, mas significativo que relata tantas verdades em poucas palavras. Leio, releio prazerosamente e percebo o quanto é recheado de afetos e ensinamentos.
Fica clara a relação entre a afetividade e o desenvolvimento cognitivo, confirmando que o pensar e o sentir estão intimamente ligados.
Partindo deste ponto, posso afirmar que o vínculo afetivo quando presente torna diferente a relação do sujeito com o aprender, propicia-lhe a oportunidade de ser visto com competências e olhado com possibilidades e respeito.
Voltou-me com clareza a lembrança de pessoas queridas, que fizeram parte da minha caminhada e tanto acrescentaram em meu saber. A presença de experiências marcantes vividas com meus primeiros ensinantes continua atuando positivamente, reforçando a afirmação de que o vínculo recheado de afeto deixa marcas.
Tenho sido educadora há muitos anos e remetendo-me à esta vivência, percebi que o sentimento de afeto ao qual delego importância influenciou e até mudou minha postura frente ao processo de aprender. Inevitavelmente, fiz uma relação entre a aluna que fui e a professora que sou hoje.
A afetividade no dia-a-dia da sala de aula se reflete na preocupação com os alunos, reconhecendo-os como seres autônomos, mostrando exigências coerentes e uma atitude de confiança e respeito à sabedoria e à condição de aprendiz de cada um. Quantas sutilezas estão contidas no mistério da aprendizagem. A maior delas talvez seja a simples fé de que o aluno vai aprender... E a fé move montanhas.
Tenho visto, entretanto rupturas neste importante vínculo, fruto de algumas posturas imaturas e superficiais na relação professor / aluno, onde o autoritarismo erroneamente confunde o ato de dar uma nota baixa com a postura de um professor exigente.
Será que ser exigente é fazer uso da nota como meio de controlar o aluno?
Será que ainda estamos vivendo na época em que os acertos de contas professor / aluno eram feitos através das notas, que ficavam sob o domínio absoluto da subjetividade de cada professor?
Avaliação e nota de aluno são temas intensamente discutidos nos meios acadêmicos. Ainda não foi encontrada uma forma absolutamente justa de aplicação. A meu ver, devemos ter como termômetro, o olhar focado, para detectar o que o aluno sabe.
Quando isto não ocorre e fatos como os citados acontecem, tiramos dele mais do que as notas no boletim. Tiramos notas da construção, da auto-estima e das possibilidades do indivíduo constituir-se como SER único.
O professor queira ou não, interfere positiva ou negativamente na formação de seu aluno, quando coloca em pauta o seu potencial de aprendiz e fragiliza o vínculo estabelecido nas relações.
A quem caberá recompor estas fraturas?
Em sala de aula, transmitimos mais que palavras; transmitimos também crenças, e conteúdos que vão além das linhas dos livros.
Acredito naquele professor que se envolve afetivamente e se vê como formador, que crê na missão de que ensinar vai além dos conteúdos dos livros didáticos.
Com propriedade, Alicia Fernández e Sara Pain nos dizem que para aprender são necessários dois personagens, o ensinante e o aprendente e um vínculo que se estabelece entre ambos. (FERNÁNDEZ, 1991.p.48)
É fato que a aprendizagem é considerada um processo que engloba os indivíduos em questão como um todo.
É importante que o professor perceba-se como facilitador do processo de aprendizagem, pois, quando a relação que estabelece com seu aluno são pautados no vínculo e no afeto, propicia a ele a oportunidade de: mostrar, guardar, criar, entregar o conhecimento e permite que o outro possa investigar, incorporar e apropriar-se do conhecimento. Desta forma há uma relação que ultrapassa o nível acadêmico e permite que ocorra um olhar diferenciado em direção ao desconhecido.
Quando este olhar permeado de afetos, em que os diferentes vínculos circularam acontece, há espaço para que o aluno seja ativo e autor do próprio conhecimento. Aí sim, há um despertar, uma vontade de apropriar-se do conhecimento. Há então um real aprendizado e o encontro efetivo de quem ensina com quem aprende. Este envolvimento dá a oportunidade para que haja um movimento na direção do desabrochar de cada um.
A esperança é primordial na relação professor / aluno. O olhar com possibilidades à condição de aprender, que vem do afeto responsável, a meu ver é necessário para o encontro do indivíduo com a crença nele próprio (“eu posso”). Este espaço possibilita a circulação do saber em direção à vida e ao desabrochar de cada aluno.
Enfim, para concluir, as relações permeadas pelo vínculo afetivo contribuem para reparar possíveis fraturas no processo de aquisição do conhecimento de cada um dá espaço para que haja um aprendizado que transforma interiormente propiciando a ele o saber fazer e ser atuante com possibilidades de posicionar-se frente a uma sociedade exigente e em constante movimento.
Posso então afirmar que o afeto faz diferença na construção do sujeito e deixa marcas em suas conquistas.
Cecília G.M. Faro - Psicopedagoga formada pela PUC-SP com especialização em dislexia; Pedagoga atuando na rede particular, no ensino Fundamental desde 1976
http://www.profala.com/arteducesp81.htm em 24/06/2010 às 11h 31m

Autora: Cecília G.M. Faro

quinta-feira, 25 de março de 2010

EXERCÍCIOS DE REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA

Reunir as crianças em um círculo colocando-as em posição de prono (de bruços), quando todos estiverem em posição pedir para se apoiarem em um dos braços, voltar à posição inicial, em seguida levantar o tronco, sem retirar as mãos e os pés do chão. Em seguida o professor deve pedir a todos para se colocarem em posição de supino (de barriga para cima), ainda em supino pedir para mexerem os braços, ora o direito, ora o esquerdo de acordo com o seu comando, pedir para fletir as pernas, em seguida tentar se balançar. Voltar à posição inicial.
O professor deve levantar-se suavemente, e pedir a todos que façam o mesmo. Com todos já de pé pedir para movimentarem-se em um círculo. Após, com todos parados ainda em círculo, efetuarem movimentos circulares com os braços (ambos os braços), pedir somente com o braço esquerdo, agora somente o direito, juntar os braços e após deixá-los relaxados e tentar tocar o pé. Relaxar todo o corpo. Em seguida com movimentos suaves sentar-se, sem, no entanto cair.
Após estes movimentos, com todos deitados pedir para respirar bem devagar, logo em seguida inspirar, repetir seis vezes. Após colocar todos para fazerem movimentos livres, cada criança deverá criar o seu movimento, não permitir repetições.
Em supino rolar até chegar a prono, em prono rolar até chegar a supino. Agora o educador pedirá para cada um reconhecer cada parte de seu corpo e dizer a que função é destinada.
Os exercícios não devem exceder a duas horas, para uma melhor fixação dos objetivos psicomotores, que são: condicionar para novas habilidades corporais, observância de regras, capacidade de elaboração do pensamento, e acima de tudo, preparar e elaborar o pensamento de forma a ganhos cognitivos.

Jones D'Arques de Souza
Formado em pedagogia e psicopedagogia pela Facnec - Faculdade Cenecista de Itaboraí
Com atuação no Peti - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
Psicopedagogo com atuação na APADA de Itaboraí

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Resgate da Afetividade Através da Psicomotricidade

O resgate da afetividade através da psicomotricidade


Na Educação infantil, a psicomotricidade virá promover situações que coloquem o corpo em cena, estimule o desenvolvimento sensorial e da postura, dos e das relações que possibilitem uma evolução psicomotora e ainda prevenir futuras alterações ou obstáculos que possam vir a surgir no processo de aprendizagem formal.

A fase importante para trabalhar com todos os aspectos do desenvolvimento (motor, intelectual, social e emocional) é a faixa etária de zero a oito anos de idade, pois, é nesse período que se instalam as primeiras dificuldades em todas as áreas de relação com o meio no qual está inserido

A coordenação ampla global é a possibilidade de controlar os movimentos amplos do nosso corpo, ela organiza a musculatura ampla para a realização de movimentos complexos. As crianças desenvolvem essa coordenação quando brincam de correr, andar, saltar, rastejar, engatinhar, brincadeiras de andar com a bola entre as pernas, na ponta dos pés, no calcanhar, agachado além do afeto que é a fonte de tudo.

Se o educador estiver atento a essas brincadeiras ele poderá detectar possíveis dificuldades que venham se manifestar ao desenvolvimento do esquema corporal da criança. Trabalhando a coordenação motora fina, que é a capacidade de controlar os pequenos músculos para exercícios refinados, podemos utilizar atividades com os dedinhos (com música infantil), ou algumas brincadeiras.

Certamente que os jogos e brincadeiras que a criança participa não se restringem só a atividade psicomotora, resgatar e valorizar o que a criança já possui é uma forma de integrá-la no contexto e nas relações.

O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança, pois, reflete o equilíbrio entre as funções psicomotoras e sua maturidade. Uma forma de desenvolver o esquema corporal e brincando com os olhos vendados para reconhecer as partes do corpo do colega o qual tocou, nomeando essas partes do corpo.

A lateralidade e capacidade motora de percepção integrada dos dois lados do corpo: direito e esquerdo, que também é elemento fundamental de relação e orientação com o mundo exterior e com o outro. A lateralidade está ligada ao desenvolvimento do esquema corporal.

A percepção do espaço constitui um requisito para a criança se encontrar em casa, na rua, na escola, nas cidades ou no campo e em diversas situações em que a própria vida exige tanto capacidade motora quanto percepção espacial.

Piaget estudou a evolução do espaço e é muito restrito, limita-se ao campo visual e as suas possibilidades motoras. Posteriormente, quando a criança começa a andar, seu espaço de ação amplia-se e multiplicam-se suas possibilidades experiências, aprendendo a deslocar-se no espaço, captar distancias direções e demais estruturas espaciais elementares, sempre em relação ao próprio corpo.

Podemos trabalhar a psicomotricidade dentro da literatura infantil, pois, é lendo que a criança aprende a viver em sociedade, a hipotetizar situações e a expressar desejos, aprende a livrar-se de medos, pânicos ou anseios, além de obter um melhor resultado na área afetiva e emocional.

Ao ler a criança desenvolve a criatividade, a capacidade de usar a linguagem, suas estruturas psicomotoras e cognitivas e seus processos psíquicos.

A psicomotricidade proporciona meios, e recursos que consideram necessários ao desenvolvimento, psicomotor da educação infantil a fase adulta, além de estimular a criatividade, a percepção e a participação direta ou indireta da criança nas aulas e até facilita sua inclusão em sociedade, modificando seus hábitos e posturas, trabalhando seus movimentos e habilidades mais complexas, além de trabalhar afetividade.

Todo ser Humano necessita do outro, do toque, sua carência afetiva o desmotiva e o deixa como se estivesse perdido no espaço e no mundo, a psicomotricidade, utiliza diversas formas de trabalhar esta afetividade, utiliza jogos, brincadeiras, dinâmicas, leitura e muitas vezes um simples abraço, um toque ou um aperto de mão.

Quando somos psicomotricistas deixamos de nos preocupar com nós mesmos e passamos a nos preocupar com o outro, buscamos seu equilíbrio, sua harmonia com o mundo interior e exterior, um individuo extremamente trabalhado na psicomotricidade certamente se tornará um ser mais feliz, carinhoso e realizado emocionalmente.

A cada dia, podemos observar o quanto os seres se distanciam desta afetividade, chegando mesmo a esquecê-la nós enquanto psicomotricistas devemos trabalhá-la demonstrando sua total importância para a vida em sociedade e a convivência com o outro, a psicomotricidade passa neste de uma simples atividade psicomotora, onde desenvolve o corpo, a mente e as ações das crianças, para uma terapia psicomotora de rejuvenescimento, onde adultos estimulados voltam a ser crianças, resgatam a infância e o afeto perdido em suas lembranças, e os idosos, fazem uma regressão a bebes que voltam a brincar e regressam em sua infância obtendo a alegria de estar vivo.

A imagem corporal do idoso, e a importância do afeto

A imagem corporal é algo muito importante para todo ser humano, de acordo com cada convivência, harmoniosa, afetiva ou agressiva, a tristeza do idoso poderá moldar sua imagem corporal, é concreto afirmar que se o idoso está deprimido ou sofre maus tratos terá sua imagem distorcida, vai desenvolver traços de repressão e sua imagem ao passo que o idoso que é alegre, extrovertido, brinca, faz amigos, pratica esportes e a psicomotricidade, terá uma imagem corporal integra.
O ser humano, precisa antes de tudo do outro, do toque e a psicomotricidade, junto com a afetividade, a linguagem materna, vem resgatar no ser humano o que há de melhor em si, o seu ego. O afeto traz o que há de melhor para a imagem do idoso a alegria que ele transparece o carinho, o toque, a caricia, o abraço não só do filho, mas do professor, do amigo, do parente e de todos que o cercam, o amor e a ternura pode fazer milagres na vida do idoso, assim como o ódio e a mágoa pode destruir uma vida.
Devemos nos dar conta da necessidade de cada um, obter informações sobre sua vida, seu dia a dia, na medida em que fomos nos interando de sua convivência e carências afetivas poderemos interagir da melhor maneira possível.
A psicomotricidade, não deve ser utilizada como uma terapia no tratamento dos sintomas e sim na prevenção do mesmo, um corpo saudável, um corpo em movimento não adoece. A psicomotricidade trabalha a todo o momento com o corpo, um corpo sem fala, um corpo que precisa se soltar um corpo que sente um corpo que espera e a psicomotricidade trabalha com o conhecimento e o domínio corporal, não com a intensão de mudá-lo, mais sim molda-lo para melhor desenvolvimento de cada ser, em sua totalidade, e em sua socialização no meio em que vive.
O idoso quando trabalhado, transpondo seus medos e tornando sua vida mais feliz e prazerosa torna-se mais preparado para viver em sociedade, volta afazer atividades que antes pareciam impossíveis, além de se tornar mais saudável e feliz.
A psicomotricidade trata o corpo e a alma impedindo que suas cicatrizes o torne seco por dentro e que sua família perceba o quanto a necessidade do carinho familiar e que os idosos merecem, toda atenção necessária a seu desempenho afetivo, corporal e emocional. Há os que pensam que os idosos não merecem respeito, ou não precisam de cuidados por já estar no “fim da vida”, ao contrário todos sem distinção merecem igualdade.


O ABANDONO

Sabemos que ainda hoje, século XXI os filhos, amigos e parentes de idosos os viram as costas, existe muito abandono, há os que vivem em casa com os filhos, mas sofrem maus tratos, ou são tratados como estranhos, há aqueles que moram em suas casas e têm que fazer tudo sozinho embora na maioria das vezes não consigam mais não tem quem os ajude.
Outros são abandonados em asilos, sem ninguém para visitá-los ou protegê-los, como se não significassem nada nas vidas dos seus familiares, a quem dedicaram toda a sua vida, e juventude. A psicomotricidade transforma essa solidão e carência, em amizade, não os amigos da 3º idade, aqueles que têm mais experiência de vida, que transmite mais conhecimento para os jovens, também aprendem muito com a troca, pois a vida é como a educação é uma aprendizagem constante.
A psicomotricidade e o afeto buscam suprir essa falta dos familiares, é claro que com a ajuda dos mesmos tudo fica mais fácil, porém nem sempre acontece desta forma, o psicomotricista as vezes encontra resistência tanto por parte dos entes queridos, quando por parte dos próprios idosos, que muitas vezes por não estarem acostumados com toque, ao serem tocados sentem certo medo, medo do diferente, medo do novo, afinal de contas quem não se assusta com o novo? O novo sempre amedronta, o ser humano tem falhas, e uma delas é o medo, medo de falar, de ouvir, de saber a verdade, e de tentar e errar as vezes deixamos de tentar, e muitas vezes até de conseguir, por ter medo de errar.
Nós enquanto psicomotricistas não devemos desistir em momento algum, devemos lutar para conseguirmos a vitória, pois ao conseguirmos conquista-la, temos a certeza que vala a pena lutar, se não lutarmos nunca sentiremos, o sabor da vitória, a cada idoso saudável a cada rosto feliz podemos observar que a psicomotricidade faz a diferença, modifica as ações, cria vínculos, não somos só professor/aluno, somos amigos e acima de tudo seres humanos.
Por que abandonar? Ou excluir? Se podemos incluir, devemos para isso obter mais tolerância, nos pondo no lugar do outro, hoje ele é o que precisa, amanhã poderemos ser nós mesmos que precisemos, hoje excluímos, amanhã poderemos ser os excluídos, tudo deve ser pensado, já diz o filosofo “tudo que vai, um dia à de voltar”.
A psicomotricidade ensina, transforma, resgata o Eu interior, se eu amo a mim mesmo, poderei amar o meu próximo, se me desprezo me odeio ou não me aceito como sou, não poderei amar. Amar é uma das maiores virtude do ser humano, já dizia Jesus: “ame ao próximo como a si mesmo”. Entretanto, poucos seres humanos utilizam essa virtude que é um dom divino.
Tratar o corpo e a alma são coisas importantes para se recuperar a imagem do idoso. Seu corpo está bem, sua imagem será tranquila, a cada dia podemos observar a importância de estar bem, para sobrevivermos nesse mundo perigoso e difícil para viver, tudo em nossa volta é complicado, e muita coisa que antes era conhecido agora parece novo e estranho, precisamos como seres humanos, de toda ajuda possível e em muitas ocasiões temos medo de pedir ajuda, só quem esta de fora pode observar e perceber o quanto precisamos um do outro, e o quanto esta atitude é importante na hora e no momento certos.
O psicomotricista tem uma visão ampla de mundo, sabe como lidar e agir a cada situação, entende quanto à a necessidade de avançar, ou de retroagir, conforme cada situação. Hoje, podemos buscar ajuda em diferentes especialidades, como por exemplo: psicólogo, psicopedagogo, psicomotricista, arte terapeuta, musicoterapia etc. Já é uma grande mudança, visto que no passado não existia tantos especialistas para auxilio terapêutico, e na prevenção de tantos problemas, na maioria das vezes ligados ao emocional, e as dificuldades do dia a dia.
Devemos cuidar dos nossos idosos, e pensar que todos iremos envelhecer um dia, que bom será se todos envelhecêssemos com saúde, e com muita atividade e carinho de todos que nos cercam, e nos amam. Passando os últimos dias de nossa vida sentindo na pele que valeu a pena tanta luta e tanto sofrimento, e no final todos somos iguais aos olhos de Deus, e todos nós iremos para o mesmo lugar. “Somos todos anjos de uma só asa, e só podemos voar quando abraçados uns aos outros” (Luciano de Crescenzo).

Jones D'Arques de Souza
Pedagogo e Psicopedagogo formado na Facnec - Faculdade Cenecista de Itaboraí
FAMÍLIA

A família se constitui no primeiro núcleo social a que temos acesso. Mas, na verdade sua abrangência vai muito além de simples conjunto de pessoas de uma sociedade, ela nos molda, dá garantias de uma vida mais centrada, e em equilíbrio, quando voltada realmente para as conquistas de seus membros.
A base familiar tem passado por grandes transformações ao longo das cinco últimas décadas. Estas transformações causaram mudanças consideráveis para toda a sua estrutura. Aquele modelo onde o marido (pai) era o único responsável pelo sustento, e dele todas as demais coisas como educação, carreira e casamento ruiu, e ficou esfacelado pelo tempo, e as transformações vindas com a globalização.
Estas transformações não se deram de um momento para o outro. Foi a partir das reivindicações dos vários movimentos, como o de liberalização e igualdade entre homens e mulheres, que estas transformações no seio da família começaram a ser processadas, e não parou mais. Culminou com a modificação da educação dos filhos, antes repressora, agora liberal e liberalizante.
Toda mudança é difícil, e não acontece sem os atropelos normais a toda mudança. A própria família sofreu grandes transformações. Antes centrada na figura masculina, e de forma secundaria no feminino, hoje vemos muitas variantes em sua constituição. Uma mulher que tem de desenvolver o seu papel natural e o de um pai não presente, o exemplo masculino nestes casos é infinitas vezes menor, pois no caso brasileiro ainda é importante para a mulher a presença, mesmo que meramente figurativa, de um companheiro ‘supridor de suas necessidades, emocionais e financeiras’, mesmo que estes casos ocorram de forma bem mais ampla nas classes pobres, onde ainda persistem pensamentos do século passado.
A maior transformação veio a partir da década de noventa até a atualidade, com a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Esta questão trouxe um ganho para estas pessoas, mas sua aceitação ainda demorará mais tempo.
Jones D'Arques de Souza
Pedagogo, Psicopedagogo formado pela Facnec - Faculdade Cenecista de Itaboraí
Atuando como psicopedagogo na APADA (Associação de Pais e Amigos do Deficiente Auditivo)e no Projeto PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil)

sábado, 13 de março de 2010

Um pouco de vinho só faz bem

Muito legal a reportagem que estava no site: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/03/12/mito-ou-verdade-tomar-vinho-no-jantar-melhora-a-digestao.jhtm
É ler, pegar uma taça colocar um pouco de vinho, e tim tim.

Mito ou verdade: tomar vinho no jantar melhora a digestão?
Anahad O'Connor

The New York Times

Estudos explicam por que o vinho tinto e a carne vermelha se harmonizam tão bem
Mulheres que bebem correm menos risco de engordar
Vinho tinto e chocolate amargo são anticancerígenos
A afirmação

Tomar uma taça de vinho no jantar ajuda na digestão.

Os fatos

Harmonizar o vinho certo com a refeição pode melhorar o sabor e estimular a conversa. Mas será que isso realmente ajuda a digerir a comida, como sugerido por autoridades ao longo do tempo, até mesmo pela Bíblia? (“Não beba mais água, mas use um pouco de vinho para o bem de seu estômago”).

Milênios depois, cientistas ainda estão trabalhando nisso. Alguns descobriram que bebidas alcoólicas aceleram o esvaziamento de alimentos do estômago e estimulam o ácido gástrico, enquanto outros sustentam que há pouco efeito. Um estudo realizado por pesquisadores alemães, publicado no jornal Gut, pode explicar a discrepância: a pesquisa descobriu um efeito a partir de bebidas fermentadas (vinho, xerez e cerveja), mas não a partir de bebidas que eram fermentadas e também destiladas, como rum, conhaque e uísque.

“Os elementos constituintes da bebida alcoólica que estimulam a liberação de ácido gástrico e gastrina são, em sua maioria, provavelmente produzidos durante o processo de fermentação e removidos durante a destilação”, eles concluíram.

Outros estudos ajudam a explicar por que o vinho tinto e a carne vermelha se harmonizam tão bem. A proteína suaviza as taninas do vinho, e o tinto ajuda a contrabalalancear substâncias potencialmente prejudiciais – gorduras oxidadas chamadas de MDA, ou malonaldeídos – liberadas quando a carne é ingerida.

Um estudo de 2008 descobriu que uma porção de carne vermelha de peru elevava os níveis da substância no sangue dos indivíduos participantes. Mas, quando combinada com uma taca de cabernet sauvignon ou shiraz, o aumento do MDA era “completamente evitado”.

Conclusão

Uma taca de vinho pode ajudar na digestão.

© 2010 New York Times News Service